Estudo diz que ultraprocessados elevam risco de infarto e AVC
Pesquisa mostra que maior consumo de alimentos ultraprocessados está ligado a mais eventos cardiovasculares
atualizado
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O consumo frequente de alimentos ultraprocessados — como refrigerantes, salgadinhos e comidas prontas — está associado a um maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). É o que aponta um estudo liderado por pesquisadores do Colégio Americano de Cardiologia, publicado na última terça-feira (17/03) no Journal of the American College of Cardiology (JACC).
A pesquisa analisou dados de 6.000 mil adultos e identificou que, quanto maior o consumo desses produtos, maior o risco de desenvolver doenças cardiovasculares. Essa relação foi observada mesmo após ajustes para fatores como idade, alimentação geral, pressão arterial, colesterol e obesidade.
Os resultados mostram uma relação direta entre a quantidade ingerida e o risco à saúde. Pessoas que consumiam cerca de nove porções diárias de alimentos ultraprocessados apresentaram um risco até 67% maior de sofrer eventos cardiovasculares, como infarto e AVC, em comparação com aquelas que ingeriam apenas uma porção por dia.
Além disso, cada porção extra diária desses alimentos foi associada a um aumento de aproximadamente 5% no risco de problemas cardiovasculares. Ou seja, não é apenas o consumo elevado que preocupa: pequenas quantidades acumuladas ao longo do tempo também podem impactar negativamente a saúde.
O que são alimentos ultraprocessados
Os ultraprocessados são produtos feitos pela indústria com vários ingredientes artificiais, como corantes, conservantes e aromatizantes. Em geral, eles têm muito açúcar, gordura e sal, e poucos nutrientes importantes.
- Refrigerantes e bebidas açucaradas;
- Salgadinhos de pacote;
- Biscoitos recheados e doces industrializados;
- Embutidos, como salsicha e presunto;
- Refeições prontas congeladas.
Por que esses alimentos preocupam
Embora o estudo não investigue diretamente os mecanismos biológicos, pesquisas anteriores sugerem que o consumo frequente de ultraprocessados pode estar relacionado a processos inflamatórios no organismo, ganho de peso e alterações no colesterol e na pressão arterial. Esses fatores, quando combinados, aumentam o risco de entupimento das artérias — principal causa de infarto e AVC.
O que fazer na prática
Os pesquisadores recomendam reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos mais naturais, como frutas, legumes, verduras, grãos e proteínas frescas.
Trocas simples no dia a dia — como substituir refrigerantes por água e evitar alimentos prontos com frequência — já podem trazer benefícios importantes para a saúde do coração ao longo do tempo.
O estudo reforça o alerta de que o consumo frequente de alimentos ultraprocessados pode realmente contribuir para algum tipo de colapso no organismo. Reduzir a presença desses produtos na dieta pode ser uma estratégia essencial para proteger o coração e prevenir problemas graves no futuro.
















