Unicef alerta sobre impactos dos ultraprocessados na saúde infantil

Revisão reúne evidências que associam consumo de ultraprocessados à obesidade, desnutrição e outros riscos ao desenvolvimento das crianças

atualizado

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Foto de um menino comendo rosquinha doce em casa. Ele é branco e tem cabelo curto e preto. Metrópoles
1 de 1 Foto de um menino comendo rosquinha doce em casa. Ele é branco e tem cabelo curto e preto. Metrópoles - Foto: Freepik

Uma revisão global divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu evidências recentes sobre os efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados na saúde de crianças e adolescentes.

O levantamento, publicado em dezembro de 2025, reúne análises de diferentes estudos científicos e reforça a preocupação com o papel desses produtos no desequilíbrio nutricional e no aumento de doenças desde a infância.

O documento aponta associação entre o consumo frequente desses alimentos e problemas como sobrepeso, obesidade, cáries e erosão dentária. Também há indícios de relação com outras formas de desnutrição, incluindo atraso no crescimento e anemia, além de maior risco de diabetes tipo 2 ao longo da vida e possíveis impactos na saúde mental.

A análise reúne pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto Nacional de Saúde Pública do México, a Universidade de Gana, e a Universidade de Sidney, na Austrália. A proposta foi consolidar o conhecimento científico já disponível para apoiar decisões em saúde pública e orientar estratégias de prevenção.

Ultraprocessados e mudanças no perfil nutricional

Dados recentes mostram que o cenário da nutrição infantil vem mudando nas últimas décadas. No Brasil, a obesidade já supera a desnutrição como forma mais comum de má nutrição entre crianças e adolescentes.

Em 2000, cerca de 5% dos jovens entre 5 e 19 anos tinham obesidade, proporção que chegou a 15% em 2022. No mesmo período, a desnutrição caiu de 4% para 3%.

Apesar da redução da desnutrição, especialistas alertam que alimentos ultraprocessados não contribuem para resolver esse problema e podem agravar outros fatores de riscos à saúde. Esses produtos costumam ter alto teor de açúcar, gordura e sódio, além de menor valor nutricional, o que favorece padrões alimentares menos equilibrados desde cedo.

Segundo o representante do Unicef no Brasil, Joaquin Gonzalez-Aleman, crianças e adolescentes tendem a ser ainda mais suscetíveis aos efeitos desse ambiente alimentar.

“Se os adultos já sofrem com esse cenário, crianças e adolescentes são mais vulneráveis. A revisão busca reunir evidências para orientar políticas públicas que protejam melhor essa faixa etária”, afirmou em comunicado.

O relatório também destaca que a exposição crescente a ultraprocessados pode afastar crianças de dietas tradicionais e contribuir para a consolidação de hábitos alimentares menos saudáveis ao longo da vida, o que reforça a importância de estratégias de prevenção desde a infância.

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