Estudo descobre como quebrar disfarce do câncer de pâncreas e atacá-lo
Células do câncer conseguem confundir defesas do organismo como um lobo em pele de cordeiro, mas novo estudo aprende a revelá-las
atualizado
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Um estudo de oncologistas da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, conseguiu retirar os disfarces que o câncer de pâncreas usa para enganar as defesas de nosso organismo. A pesquisa revelou que o tumor usava literalmente uma capa para se esconder das células imunológicas, se escondendo com uma série de moléculas de açúcar que prejudicavam sua identificação.
Com essa capa, o câncer conseguia permanecer incógnito por muito tempo, só sendo revelado em pontos mais avançados, o que pode ajudar a entender por que essa neoplasia é uma das mais fatais, frequentemente diagnosticada tardiamente e difícil de tratar com as terapias atuais. Estima-se que apenas 13% dos pacientes sobrevivam mais de cinco anos após o diagnóstico.
Câncer de pâncreas
- Esse tipo de câncer ocorre quando células anormais crescem e se multiplicam no pâncreas, formando um tumor.
- Entre os principais sintomas da condição, estão: dor abdominal ou nas costas, perda de apetite e perda de peso involuntária, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes claras, coceira na pele, indigestão e fadiga.
- Dependendo do estágio da doença, o câncer de pâncreas pode ser tratado através de cirurgia, quimioterapia ou radioterapia.
- Não há medidas específicas para prevenir o câncer de pâncreas, porém, evitar o tabagismo, consumo excessivo de álcool e obesidade são boas alternativas para diminuir o risco da doença.
O disfarce do câncer de pâncreas
A boa notícia é que o estudo, publicado em setembro na revista Cancer Research, encontrou uma forma de impedir que o tumor recorra a essa capa, o que pode fazer com que o corpo identifique sua presença mais precocemente. Os resultados foram positivos em experimentos in vitro e em ensaios com camundongos.
“Nossa equipe levou cerca de seis anos para descobrir esse novo mecanismo, desenvolver os anticorpos corretos e testá-los. Ver isso funcionar foi uma grande conquista”, disse o médico Mohamed Abdel-Mohsen, autor sênior do estudo.
A capa de açúcar do câncer é feita de ácido siálico e sempre que uma célula de defesa humana entra em contato com essa substância, ela lê um sinal de “não me ataque”. “É exatamente a técnica do lobo em pele de cordeiro”, apresenta Abdel-Mohsen.
Como foi feito o tratamento contra o câncer
Os anticorpos criados pela equipe da Universidade Northwestern conseguem eliminar a capa, permitindo que as células de defesa do organismo percebam melhor as células cancerígenas. Camundongos tratados dessa forma tiveram uma redução dos índices de crescimento tumoral de 40% e, em alguns casos, até retração da massa tumoral, mesmo que o único tratamento testado tenha sido “revelar” o inimigo.
Os pesquisadores agora planejam estudar o desempenho do anticorpo em conjunto com as opções de quimioterapia e imunoterapia já existentes. “Há uma forte justificativa científica para acreditar que a terapia combinada nos permitirá alcançar nosso objetivo final: a remissão completa. Não queremos apenas uma redução ou uma desaceleração de sua progressão. Queremos eliminar o câncer por completo”, concluiu o líder do estudo em comunicado à imprensa.
