Estudo aponta que creatina não tem ação anti-inflamatória. Entenda

Revisão de pesquisadores da Unesp não encontrou evidências consistentes de que o suplemento reduza inflamação em humanos

atualizado

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Natalia Rusanova/ Getty Images
Foto de scoop com creatina - Metrópoles
1 de 1 Foto de scoop com creatina - Metrópoles - Foto: Natalia Rusanova/ Getty Images

Muito popular entre atletas e frequentadores de academia, a creatina é reconhecida por seus benefícios para força muscular e desempenho físico. Nos últimos anos, porém, o suplemento também passou a ser associado a um suposto efeito anti-inflamatório.

Uma revisão sistemática com meta-análise publicada em fevereiro de 2026 na revista Frontiers in Immunology sugere que tal benefício ainda não foi comprovado. O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e reuniu evidências de estudos clínicos realizados em humanos.

Os pesquisadores analisaram oito ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, envolvendo 216 participantes. Os estudos incluíram pessoas saudáveis, atletas, idosos e pacientes com osteoartrite.

As intervenções duraram de cinco dias a 24 semanas. As doses de creatina variaram entre 0,07 g por quilo de peso corporal ao dia e 20 g diárias, conforme o protocolo adotado em cada pesquisa.

Dessa forma, a equipe avaliou marcadores inflamatórios amplamente utilizados na prática clínica e científica, como proteína C reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6), interleucina-1β, fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e prostaglandina E2.

Resultados não confirmam ação anti-inflamatória

Na análise conjunta dos estudos, a suplementação de creatina não promoveu redução estatisticamente significativa dos principais marcadores inflamatórios. Segundo os autores, os resultados não sustentam a hipótese de que a creatina tenha efeito anti-inflamatório comprovado em humanos.

“Muita gente fala que a creatina é anti-inflamatória com base em resultados de estudos feitos em animais ou em células isoladas em laboratório. O problema é que esses resultados da pesquisa básica nem sempre se traduzem em efeitos clínicos em humanos”, afirmou Vitor Engracia Valenti, pesquisador da Unesp e orientador do estudo, à Agência Fapesp.

Para que serve a creatina?

  • A creatina funciona como fonte de energia para as células musculares.
  • A suplementação auxilia no processo de construção e manutenção muscular, aumentando a força para a realização de exercícios de resistência e de alta intensidade.
  • O consumo do suplemento também facilita a recuperação no pós-treino. Como resultado, os usuários aumentam a massa muscular mais rapidamente.
  • Ela também pode ter benefícios para o cérebro e para a prevenção de doenças crônicas.

Benefício pode ocorrer em situações específicas

Os pesquisadores observaram que alguns estudos com atletas submetidos a exercícios físicos extremamente intensos encontraram redução de determinados marcadores inflamatórios após protocolos de suplementação com doses de até 20 g por dia durante cinco dias.

Ainda assim, os autores alertam que tais resultados foram pontuais e não permitem concluir que a creatina tenha ação anti-inflamatória para a população em geral.

A revisão também reforça que o suplemento apresentou bom perfil de segurança nos estudos avaliados e continua sendo uma ferramenta útil para objetivos relacionados ao desempenho e à função muscular. O que o trabalho coloca em dúvida é apenas a alegação de que a creatina funcione como um anti-inflamatório.

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