Estudo aponta potencial da própolis marrom contra câncer de cólon
Pesquisa indica efeito anti-inflamatório ligado à prevenção da doença e aponta potencial de uso futuro como suplemento
atualizado
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Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros aponta que a própolis marrom, uma variedade menos conhecida do produto das abelhas, pode atuar na prevenção do câncer de cólon. Os resultados indicam que compostos presentes nessa substância têm efeito protetor ligado à redução de processos inflamatórios, que estão entre os fatores associados ao desenvolvimento da doença.
A pesquisa analisou diferentes tipos de própolis produzidas no Brasil, incluindo as versões verde, vermelha e marrom. Todas apresentaram algum efeito protetor, mas a própolis marrom chamou atenção por apresentar resultados mais expressivos mesmo em doses menores.
“Embora essas três própolis brasileiras tenham composições químicas diferentes, todas apresentaram efeito na proteção contra o processo de carcinogênese, especialmente no câncer de cólon”, explica a professora Denise Crispim Tavares, que participou do estudo.
Como a própolis atua no organismo
A própolis é produzida por abelhas a partir de resinas vegetais, e sua composição varia conforme a origem dessas plantas. No caso da própolis marrom, a principal fonte está associada à araucária, comum na região Sul do país, o que influencia suas características químicas.
Os testes foram realizados em laboratório e em modelos animais, etapa inicial da pesquisa científica. Os resultados indicam que o efeito observado está relacionado à ação anti-inflamatória dos compostos presentes na substância.
“A carcinogênese do cólon envolve muitos aspectos de inflamação. No nosso estudo, conseguimos observar o efeito anti-inflamatório da própolis e associá-lo ao potencial preventivo contra o câncer”, afirma Denise.
Esse ponto é considerado relevante porque processos inflamatórios crônicos estão entre os fatores que contribuem para o desenvolvimento de tumores.
Potencial ainda em investigação
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que ainda não existe um produto pronto para uso com base nesses achados. A própolis marrom pode, no futuro, ser estudada como suplemento alimentar voltado à prevenção, mas isso depende de novas etapas de pesquisa, incluindo testes em humanos.
Segundo Denise, o estudo também reforça a importância de investigar a biodiversidade brasileira em busca de novas substâncias com aplicação na saúde.
“O Brasil tem uma vasta biodiversidade, oferecendo muitos recursos a serem explorados na obtenção de substâncias para fins terapêuticos”, diz.
A pesquisadora faz um alerta importante. O fato de um produto ser natural não significa automaticamente que ele seja seguro ou eficaz.
“A população em geral tem o falso conhecimento de que tudo que é natural é bom. Muitos medicamentos, inclusive quimioterápicos, são derivados de plantas”, afirma.
Para ela, o papel da ciência é justamente entender essas substâncias e transformá-las em soluções seguras. “Cabe à pesquisa estudar esses compostos para oferecer produtos com qualidade, segurança e eficácia, que possam promover a saúde”, conclui.















