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Saúde

1 em cada 10 brasileiros com câncer tem mutação herdada, afirma estudo

Maior análise genômica do país revela impacto do DNA familiar no risco de tumores e reforça importância de testes genéticos

12/05/2026 17:14
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}Imagem colorida de homem em cama hospitalar com curativos e tubos - Metrópoles.

O câncer sempre foi associado, principalmente, a hábitos de vida e fatores ambientais. No entanto, um estudo publicado em 27 de abril na revista científica The Lancet Regional Health, reforça que, para uma parcela relevante dos pacientes, o risco começa antes mesmo do nascimento — no DNA herdado da família.

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A pesquisa analisou materiais genéticos de 275 participantes brasileiros com câncer e identificou que cerca de 10% carregam mutações genéticas hereditárias associadas ao desenvolvimento da doença. Utilizando técnicas de sequenciamento genético, os cientistas buscaram variantes herdadas que aumentam a predisposição ao surgimento de tumores.

Os cientistas identificaram mutações patogênicas em genes já conhecidos por sua relação com o câncer, como BRCA1, BRCA2 e TP53, que estão ligados principalmente a tumores de mama, ovário, próstata e intestino. Os resultados mostram que essas alterações hereditárias não são raras e têm impacto direto na forma como a doença se desenvolve e evolui.

Quando o risco vem de família

Diferentemente das mutações adquiridas ao longo da vida, as alterações hereditárias estão presentes desde o nascimento e podem ser transmitidas entre gerações.

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Na prática, elas comprometem mecanismos naturais do organismo responsáveis por corrigir falhas no DNA. Com essa proteção reduzida, células danificadas têm maior chance de se multiplicar de forma descontrolada — dando origem ao câncer.

Por isso, pessoas com histórico familiar da doença, especialmente em idades mais jovens, podem ter risco aumentado. Identificar uma mutação hereditária pode transformar completamente o acompanhamento médico de um paciente.

Em alguns casos, a informação genética também influencia decisões terapêuticas, permitindo o uso de tratamentos mais direcionados. Com o diagnóstico genético, é possível:

  • Antecipar exames de rastreamento;
  • Intensificar a vigilância clínica;
  • Orientar medidas de prevenção;
  • Avaliar o risco em parentes de primeiro grau.

Desafio ainda é ampliar o acesso

Apesar dos avanços, os pesquisadores alertam que o acesso a testes genéticos no Brasil ainda é limitado, o que faz com que muitos casos de predisposição hereditária não sejam identificados. A ampliação dessas ferramentas, segundo o estudo, pode contribuir para diagnósticos mais precoces e estratégias mais eficazes de prevenção.

Embora o fator genético tenha peso importante, ele não atua isoladamente. A maior parte dos casos de câncer ainda está associada a fatores como alimentação, sedentarismo, tabagismo e envelhecimento.

Ainda assim, o estudo reforça que entender o próprio histórico familiar e, quando indicado, investigar o DNA, pode fazer diferença no risco e no desfecho da doença.

No avanço da medicina personalizada, a genética deixa de ser apenas um fator invisível e passa a ser uma ferramenta concreta para antecipar riscos — e salvar vidas.