“Câncer será a maior causa de mortalidade no Brasil”, diz diretor do Inca. Veja Vídeo

Em entrevista ao Metrópoles, diretor do Inca, Roberto de Almeida Gil, alerta que os casos de câncer devem aumentar nos próximos anos

atualizado

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Tomaz Silva/Agência Brasil
Imagem mostra o oncologista Roberto Gil, diretor-geral do INCA. Ele é um homem branco, calvo e ocm a barba branca - Metrópoles
1 de 1 Imagem mostra o oncologista Roberto Gil, diretor-geral do INCA. Ele é um homem branco, calvo e ocm a barba branca - Metrópoles - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

No início de 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), órgão auxiliar do Ministério da Saúde para a prevenção e o controle da doença, divulgou uma estimativa de que, no triênio 2026-2028, o Brasil deverá registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer. O número é alto, mas deve aumentar ainda mais: até 2050, haverá um aumento de 85% de incidência e mais de 90% de mortalidade por câncer.

Confira a entrevista com o o diretor-geral do Inca, o oncologista Roberto de Almeida Gil:

Em entrevista ao Metrópoles, Gil aponta que nos próximos 10 anos haverá um crescimento da doença e isso está relacionado aos hábitos da população.

Tabagismo, alimentação, obesidade, abuso de bebidas alcoólicas e sedentarismo estão entre os principais fatores que contribuem para o aumento dos casos. O consumo excessivo de álcool, de alimentos ultraprocessados e a prática de sexo sem proteção (relacionada ao HPV, que pode causar câncer de colo do útero e da cavidade bucal) se tornaram mais comuns — e todos estão relacionados ao desenvolvimento da doença.

“É importante frisar que 30% a 50% dos casos de câncer são preveníveis e já conhecemos os fatores de risco”, afirma.

Além disso, alimentos com agrotóxicos, a falta de EPIs (equipamentos de proteção individual) e a exposição ao sol sem proteção devida também são agentes que impactam no aumento de casos.

“Tivemos um envelhecimento populacional grande no Brasil. Em 40 anos, avançamos o que a Europa levou 400 anos. Outras doenças estão estabilizadas, mas a incidência do câncer está aumentando, sendo 65% nos homens e 70% nas mulheres”, alerta o oncologista.

O problema do câncer no Brasil também está relacionado ao diagnóstico e à jornada do paciente. O sistema de saúde fragmentado — onde o paciente precisa se deslocar a várias unidades para realizar o tratamento —, a capacitação dos profissionais e o descobrimento tardio da doença estão entre os pontos que colaboram para o aumento desses números.

Tipos de câncer mais comuns no Brasil

Homens

  • Próstata (30,5%);
  • Cólon e reto (10,3%);
  • Pulmão (7,3%);
  • Estômago (5,4%);
  • Cavidade oral (4,8%).

Mulheres

  • Mama (30%);
  • Cólon e reto (10,5%);
  • Colo do útero (7,4%);
  • Pulmão (6,4%);
  • Tireoide (5,1%).

Apesar dos números alarmantes, o órgão tem investido em campanhas preventivas, parcerias com outras instituições e capacitação básica dos profissionais para tentar diminuir os números de novos casos de câncer.

Gil destaca que uma das melhores estratégias é a prevenção. “É preciso modificar esse quadro atual. Incentivar a prevenção é a única maneira de diminuir a incidência”, enfatiza.

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