Epicovid-19: estudo da UFPel mostra desaceleração da Covid-19 no Brasil

Pesquisa investiga prevalência de anticorpos na população e percebeu queda desde junho. Porém, reitor diz que ainda não é hora para relaxar

atualizado 16/09/2020 16:58

teste drive-thru coronavírusRafaela Felicciano/Metrópoles

Segundo dados da quarta etapa da pesquisa EpiCovid-19 BR, feita pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a transmissão do coronavírus está diminuindo. O estudo, que coletou mais 33.250 amostras em 133 municípios entre os dias 27 e 30 de agosto, é um dos maiores do mundo a verificar, com testes sorológicos, a prevalência do vírus na população.

Nesta nova etapa, 1,4% dos participantes apresentou anticorpos, uma redução considerável dos dados de junho, que apontaram prevalência em 3,8% da população. De acordo com os pesquisadores, a diferença nas porcentagens indica uma circulação menos intensa do vírus.

O kit de testagem usado pela equipe da UFPel detecta anticorpos apenas durante algumas semanas, e não acusa infecções antigas — por isso, a prevalência caiu em relação ao período anterior.

A pesquisa mostra ainda que a Região Norte teve maior prevalência (2,4%), seguindo do Nordeste (1,9%), Sudeste, Sul e Centro-Oeste (os três com 0,5%). A interiorização dos casos também foi confirmada: as cidades mais atingidas são Juazeiro do Norte (8%) e Sobral (7,2%), ambas no Ceará, e com porcentagens muito maiores do que a das capitais.

A nova etapa também confirma a informação apurada pelos últimos levantamentos, de que pessoas mais pobres, pretos e pardos têm mais chance de ser infectadas.

Com a diminuição do isolamento social, a pesquisa também percebeu um aumento nos casos entre crianças e idosos, e uma queda entre adultos.

“Sim, a epidemia está diminuindo. Acabou? Não, não acabou. Ainda estão morrendo mais ou menos 700 pessoas por dia, de acordo com a média móvel. Significa que estamos no caminho de eliminar essa pandemia, mas precisamos estar atentos. Precisamos seguir usando máscara, seguir praticando o distanciamento social, seguir nos cuidando”, afirmou Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador do estudo, em entrevista à TV RBS.

A pesquisa da UFPel foi financiada pelo Ministério da Saúde nas três primeiras etapas, até que o contrato com o órgão acabou e o levantamento foi pausado. Para dar continuidade, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a iniciativa Todos pela Saúde se uniram e financiaram o projeto.

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