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Saúde

Entenda como funcionam os medicamentos genéricos e tire suas dúvidas

Para ter sua venda autorizada, o medicamento genérico precisa passar por testes que comprovam sua eficácia e segurança

20/08/2026 02:00
RafaPress
Imagem de embalagem de medicamento genérico - Metrópoles

Os medicamentos genéricos ainda causam dúvida em parte da população quando se fala de sua eficácia e segurança, mesmo que já estejam no mercado farmacêutico desde 1999, quando foi sancionada a Lei nº 9.787 — a Lei dos Genéricos.

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Quando uma empresa farmacêutica cria uma substância nova, ela chama esse remédio de referência. Ao completar 20 anos de criação, o medicamento perde a patente e a versão genérica pode ser fabricada.

Para que o genérico seja aprovado para venda, ele precisa ter o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica. Para isso, são realizados testes que comparam sua eficácia com a do referência.

A diretora científica da Medley, Jussara Barbutti, diz que entender as características dessa categoria de medicamentos ajuda a esclarecer dúvidas e ampliar a confiança do paciente na hora da compra.

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“Os medicamentos genéricos atendem aos mesmos critérios de qualidade, eficácia e segurança exigidos para aqueles que têm uma marca impressa na caixinha. Isso assegura que o genérico atue no organismo exatamente como o medicamento de referência”, explica.

Foto de prateleira de remédios mostra grande disposição de medicamentos genéricos
Medicamentos genéricos no Brasil apresentam uma faixa em sua embalagem que os caracteriza

Testes realizados nos medicamentos genéricos

Entre os testes obrigatórios para os genéricos estão os de equivalência farmacêutica e bioequivalência. Os medicamentos precisam atender aos critérios estabelecidos pela Anvisa, que são alinhados a guias internacionais.

O presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), Tiago de Moraes Vicente, ressalta que primeiro são feitos testes de laboratório para verificar se o genérico apresenta características farmacêuticas equivalentes e depois os testes de bioequivalência.

“Esses estudos avaliam se o princípio ativo chega ao organismo em quantidade e velocidade comparáveis. Só após atender aos critérios estabelecidos pela Anvisa, o medicamento pode ser registrado como genérico”, explica Vicente.

Jussara complementa que esses estudos são justamente a base científica que permite à agência reguladora reconhecer a intercambialidade entre o genérico e o de referência. Não se trata apenas de conter o mesmo princípio ativo: é preciso demonstrar de forma técnica essa equivalência para obter o registro como genérico.

Ela acrescenta que essa segurança não é uma realidade apenas no Brasil. “O método já é adotado há décadas em diversos países, como Estados Unidos, Japão e nações europeias, que representam cerca de 60% do mercado global de medicamentos em volume, segundo diretrizes da Organização Mundial da Saúde”, destaca.

Por que os genéricos são mais baratos do que os de referência

O medicamento genérico representa também uma democratização no acesso da população, já que tem custos menores que os de referência.

O menor preço não está relacionado a uma qualidade inferior, mas sim ao fato de que, quando o genérico chega ao mercado, já houve um investimento prévio de estudo e descoberta da substância. “O genérico não possui nome de marca: ele é identificado pelo princípio ativo. No Brasil, a Anvisa informa que o medicamento genérico deve ser, no mínimo, 35% mais barato que o de referência”, relata Jussara.

O presidente-executivo da PróGenéricos esclarece que, na prática, porém, a economia para o consumidor pode ser muito maior.

“Com o fim da exclusividade da patente, diferentes laboratórios podem produzir versões genéricas de um mesmo medicamento, ampliando a oferta e estimulando a concorrência, dinâmica que contribui para a redução dos preços”, diz Vicente.

Para checar se o medicamento genérico é confiável, o consumidor precisa se atentar à embalagem, que, pela legislação brasileira, deve trazer a faixa amarela com a letra G em destaque, em referência ao “Medicamento Genérico”, além da identificação do nome do princípio ativo.