Entenda a técnica que coloca pacientes com Covid-19 de bruços

Procedimento visa melhorar a oxigenação dos pulmões de pessoas que estão com dificuldade para respirar

atualizado 21/04/2020 17:00

paciente de bruçosSergei Karpukhin/Getty Images

Seguindo uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), muitos centros de urgência têm adotado uma técnica diferente no tratamento de pacientes com Covid-19 que apresentam desconforto respiratório: colocar a pessoa de bruços.

O procedimento é antigo e começou a ser usado nos anos 1970 para aumentar a capacidade dos pulmões de absorver oxigênio. A parte mais pesada dos órgãos fica nas costas e, se o paciente estiver deitado de barriga pra cima, pode ter mais dificuldade em respirar. De bruços, os pulmões têm mais espaço para se expandir e o fluxo sanguíneo é aumentado.

Em entrevista à BBC, o médico italiano Luciano Gattinoni, um dos precursores da técnica, explica que na posição de bruços as forças são distribuídas no pulmão de maneira mais homogênea. “Pense em um pulmão sujeito à energia mecânica do respirador, é como se fosse continuamente chutado. Obviamente, quanto mais essa força é distribuída uniformemente, menos danos ela causa”, diz.

Apesar de parecer simples, o procedimento é delicado: se o paciente for obeso, tiver lesões no peito ou estiver entubado, a mudança pode trazer algumas consequências. Pode ser preciso uma equipe de até cinco pessoas para virar o paciente com segurança, e alguns hospitais estão treinando seus profissionais para usar a técnica.

Segundo a OMS, “a ventilação mecânica em decúbito ventral [posição de bruços] é altamente recomendada em pacientes adultos com SDRA (síndrome de dificuldade respiratória aguda) grave (…). Recomenda-se ventilação mecânica em decúbito ventral por 12 a 16 horas por dia”.

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