Em medida polêmica, Grã-Bretanha permite combinação de vacinas da Covid-19
Atualização das diretrizes de vacinação permite que doses de imunizantes de fábricas diferentes sejam oferecidos à população

A Grã-Bretanha, ilha que compreende as nações da Inglaterra, Escócia e País de Gales, alterou seu manual de vacinação contra Covid-19
A mudança contradiz as diretrizes de outros órgãos de controle do mundo, como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos. Segundo a agência norte-americana, as vacinas contra o coronavírus não podem ser intercambiáveis. “A segurança e eficácia de uma série de produtos mistos não foram avaliadas. Ambas as doses da série devem ser concluídas com o mesmo produto”, determina o CDC.

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Ver todasA medida foi duramente criticada por especialistas do mundo inteiro. Em entrevista ao NY Times, John Moore, especialista em vacinas da Universidade Cornell, afirmou que não há dados que comprovem a eficácia da medida. Segundo ele, “funcionários na Grã-Bretanha parecem ter abandonado completamente a ciência agora e estão apenas tentando adivinhar como sair da bagunça”.
Segundo a nova orientação da Grã-Bretanha, “todo esforço deve ser feito” para completar um regime de dosagem com a mesma vacina usada pela primeira vez. Mas quando “a mesma vacina não estiver disponível, ou se o primeiro produto recebido é desconhecido, é razoável oferecer uma dose do produto localmente disponível” na segunda vacinação.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaO Reino Unido começou a campanha de vacinação no dia 8 de dezembro. O local foi o primeiro a aprovar o uso da vacina da Pfizer/BioNTech e autorizou, na última quarta-feira (30/12), o uso emergencial da vacina desenvolvida pela Universidade Oxford e pela AstraZeneca.
A recomendação é direcionada, preferivelmente, para pacientes “em alto risco imediato ou for considerado improvável que participe novamente [da vacinação]”. O argumento das autoridades de saúde inglesas é de que, como ambas as vacinas têm como alvo a proteína Spike do coronavírus, é provável que a segunda dose ajude a aumentar a resposta à primeira dose.
Em um comunicado à imprensa, funcionários da Public Health England chamaram a atenção para as semelhanças entre as vacinas Pfizer e AstraZeneca e acrescentaram que os ensaios clínicos que testam regimes mistos deveriam começar ainda este ano.
Steven Danehy, porta-voz da Pfizer, afirmou em entrevistas que, embora as decisões sobre os regimes de dosagem alternativos caibam às autoridades de saúde de cada local, “a Pfizer acredita que é fundamental que as autoridades de saúde conduzam esforços de vigilância em quaisquer esquemas alternativos implementados para garantir que cada receptor receba a proteção máxima possível, o que significa imunização com duas doses da vacina”.
Tanto a vacina Pfizer/BioNTech quanto o imunizante Astrazeneca/Ofxord devem ser aplicadas em regimes de duas doses, administradas com três ou quatro semanas de intervalo. A segunda dose é importante pois garante uma espécie de sessão de revisão molecular para o sistema imunológico, que completa o processo protetor contra o coronavírus.
De acordo com especialistas ouvidos pelo NY Times, as vacinas têm ingredientes diferentes. Por isso, é possível que as pessoas não se beneficiem tanto com uma segunda injeção, no caso do mix de vacinas. A mistura e a correspondência também podem tornar mais difícil a coleta de dados claros sobre a segurança dos imunizantes.
A abordagem da vacinação híbrida parece “prematura”, disse Saad Omer, especialista em vacinas da Universidade de Yale. Ainda assim, de acordo com o CDC, a combinação de vacinas pode ser uma possibilidade caso seja impossível “dar doses de uma vacina do mesmo fabricante”. Segundo o õrgão, “os provedores devem administrar a vacina que eles têm disponível” para completar um cronograma de vacinação.
Para Phyllis Tien, infectologista da Universidade da Califórnia, as alterações da Grã-Bretanha foram feitas sem reuniões públicas ou dados sólidos e “podem corroer a confiança nas campanhas de vacinação e nas medidas de saúde pública em geral”.
A Grã-Bretanha vive sob ameaça da nova cepa do Sars-CoV-2, detectada primeiro no Reino Unido e já mapeada no Brasil. Na última sexta-feira (01/01), autoridades do governo britânico anunciaram que as escolas em Londres e em outras regiões atingidas pelo vírus permanecerão fechadas pelo menos nas próximas duas semanas.














