Dieta baseada em aveia por 48h pode reduzir colesterol ruim em até 10%
Estudo com dieta de aveia foi feito com pessoas que têm síndrome metabólica, com sinais como excesso de peso e alterações no colesterol
atualizado
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Comer aveia por apenas 48 horas é suficiente para derrubar o colesterol ruim. A conclusão veio de um estudo da Universidade de Bonn, na Alemanha, publicado em 14 de janeiro na revista científica Nature Communications.
A pesquisa indica que dois dias de alimentação baseada principalmente em aveia reduziram em 10% os níveis de colesterol LDL, que é associado ao risco de infarto e AVC.
O estudo foi feito com pessoas que têm síndrome metabólica, condição caracterizada por excesso de peso, pressão alta, alterações na glicemia e no colesterol. O quadro aumenta o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.
Como funcionou a dieta?
Durante 48 horas, os participantes consumiram cerca de 300 gramas de aveia por dia, divididas em três refeições. Eles só podiam comer porções pequenas de frutas e vegetais e também houve uma redução de pelo menos metade das calorias habituais.
O grupo que serviu de controle também cortou calorias, mas não consumiu aveia. Os dois grupos apresentaram melhora metabólica, mas quem comeu aveia mostrou queda de 10% no LDL, perda média de dois quilos e leve redução da pressão arterial.
Segundo os pesquisadores, a diminuição do colesterol é muito importante para o corpo, porque níveis altos de LDL favorecem o acúmulo de placas nas artérias do coração e isso pode aumentar o risco de eventos cardiovasculares graves.
Continuidade do efeito da aveia no corpo
Um dos dados que mais chamou atenção no estudo foi a duração dos efeitos da aveia no corpo. Mesmo depois de seis semanas após a dieta, os níveis de colesterol ainda estavam mais baixos no grupo da aveia.
Em outra etapa do estudo, os voluntários consumiram 80 gramas de aveia por dia durante seis semanas, sem cortar calorias. Nesse formato, os efeitos foram bons, mas bem mais discretos. A estratégia de consumir mais aveia em menos tempo parece ter funcionado melhor.
Mudanças no intestino ajudam a explicar o efeito
Os pesquisadores também analisaram o que aconteceu no intestino dos participantes. Eles descobriram que a dieta rica em aveia mudou a composição das bactérias da microbiota intestinal.
Isso fez com que a presença de microrganismos que produzem substâncias associadas ao melhor controle do colesterol aumentasse. Entre elas está o ácido ferúlico, composto que já foi relacionado, em estudos anteriores, a efeitos positivos no metabolismo das gorduras.
Além disso, algumas dessas bactérias também parecem ter influência em mecanismos ligados à sensibilidade à insulina — fator importante para reduzir o risco de diabetes tipo 2.
Estratégia complementar, não substituta
Apesar dos resultados animadores, os pesquisadores reforçam que a redução de 10% no LDL não substitui medicamentos quando eles são indicados por um médico. Por isso, a proposta do estudo é que a estratégia funcione como complemento, e não como um substituto.
Agora, os cientistas querem avaliar se repetir o ciclo de aveia em um intervalo de algumas semanas pode manter o colesterol sob controle por mais tempo. Eles ainda deixam claro que intervenções curtas na alimentação podem, sim, gerar mudanças boas no organismo.
