Saiba quais são os riscos de usar descongestionante nasal em excesso

Especialistas alertam que uso excessivo de descongestionante nasal pode causar rinite medicamentosa e piorar a obstrução

atualizado

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1 de 1 Mulher usando descongestionantes nasais - metrópoles - Foto: Getty Images

O descongestionante nasal costuma ser solução rápida para aliviar o nariz entupido em crises de gripe, rinite ou alergia. O problema é que o uso indiscriminado dos sprays pode transformar um desconforto passageiro em uma dependência difícil de controlar. Especialistas alertam que o excesso do medicamento provoca efeito rebote e pode desencadear a chamada rinite medicamentosa.

Segundo o otorrinolaringologista Luiz Henrique Barbosa, da Clínica AMO, em Salvador, o uso contínuo do descongestionante nasal faz com que o organismo passe a responder cada vez menos ao remédio.

“O principal risco do uso excessivo é a rinite medicamentosa, uma condição caracterizada por congestão nasal crônica de rebote que piora progressivamente com o uso contínuo do medicamento”, explica.

Já o otorrinolaringologista André Neri, do Hospital Santa Marta, em Brasília, afirma que muitos pacientes percebem a dependência apenas quando passam a carregar o spray para todos os lugares.

“Essa rinite medicamentosa é a dependência dos descongestionantes. O paciente fica com vício, dependente dele e não consegue mais largar”, alerta.

Efeito rebote piora a congestão nasal

Os especialistas explicam que o descongestionante nasal provoca uma vasoconstrição temporária na mucosa do nariz, reduzindo o inchaço e facilitando a respiração. Porém, com o uso repetido, o efeito começa a durar menos e o nariz volta a entupir ainda mais.

De acordo com Barbosa, o organismo perde sensibilidade ao medicamento com o passar dos dias. “Com o uso prolongado, ocorre diminuição progressiva da resposta ao medicamento e congestão de rebote”, afirma o médico.

Neri acrescenta que esse ciclo leva o paciente a aumentar a frequência de aplicação do spray ao longo do dia. Em casos mais avançados, a pessoa passa a usar o produto várias vezes diariamente apenas para conseguir respirar.

Quantos dias de uso já representam risco?

As recomendações médicas indicam que o descongestionante nasal deve ser usado apenas por curtos períodos. Segundo Barbosa, entidades médicas internacionais orientam limitar o uso contínuo entre três e cinco dias.

Já Neri afirma que, na prática clínica, muitos pacientes começam a desenvolver dependência após períodos um pouco mais longos. “Seguramente pode-se usar por até 10 dias, no máximo 14 dias. Mais do que isso, provavelmente o paciente começa a ter uma dependência maior e fica mais difícil fazer o desmame”, explica.

Os sinais de alerta incluem necessidade constante do spray, redução do tempo de alívio e sensação de nariz permanentemente entupido sem o medicamento.

Os especialistas destacam que existem alternativas mais seguras para tratar a congestão nasal sem recorrer ao uso frequente de descongestionante nasal.

Entre elas estão lavagem nasal com solução salina, corticoides intranasais e antialérgicos, sempre com orientação médica. Em alguns casos, também pode ser necessário investigar rinite alérgica, sinusite ou até alterações estruturais no nariz.

Para Neri, a automedicação acaba atrasando o diagnóstico correto do problema. “Existe a figura do otorrino para estudar cada caso e entender a causa dessa obstrução, seja rinite, alergia ou até necessidade de cirurgia”, conclui.

Como funciona o desmame do spray nasal

Parar de usar descongestionante nasal depois de semanas ou meses de uso contínuo pode ser difícil. Isso acontece porque a rinite medicamentosa faz o nariz se tornar dependente do efeito do spray para permanecer desobstruído, criando um ciclo de uso frequente e cada vez mais intenso.

Especialistas explicam que o desmame deve ser feito com orientação médica para evitar piora importante da congestão nasal durante a retirada do medicamento. Em muitos casos, o tratamento inclui lavagem nasal com soro fisiológico, corticoides intranasais e antialérgicos para ajudar a reduzir a inflamação da mucosa nasal enquanto o organismo volta a funcionar sem o descongestionante.

Os médicos alertam que sinais como carregar o spray na bolsa, no carro, ao lado da cama ou precisar usar o produto várias vezes ao dia já podem indicar dependência.

Além disso, insistir no uso contínuo tende a piorar a obstrução nasal com o passar do tempo, fazendo com que o paciente precise de doses cada vez maiores para conseguir respirar normalmente.

Segundo os especialistas, interromper o spray pode causar desconforto temporário nos primeiros dias, mas é uma etapa importante para recuperar a função natural do nariz e evitar complicações crônicas.

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