Covid longa em imunossuprimidos pode criar novas cepas do coronavírus

Após revisão de estudos científicos, pesquisadores defendem que pacientes com a imunidade comprometida sejam prioritários para a vacinação

atualizado 05/08/2021 17:53

CoronavírusPixabay

Cientistas de institutos dos Estados Unidos alertam para uma maior atenção à Covid-19 persistente em pessoas com a imunidade comprometida, pois a infecção persistente pode gerar variantes mais transmissíveis e até mais graves do Sars-CoV-2.

“As descobertas de que pacientes imunocomprometidos com infecção persistente de Covid-19 podem gerar variantes mais transmissíveis ou patogênicas de Sars-CoV-2 implicam uma série de medidas médicas e de saúde pública. Deve-se aumentar as precauções tomadas para evitar a transmissão de Covid-19 entre pacientes imunocomprometidos”, escreveram os autores do estudo publicado no periódico científico New England Journal of Medicine na quarta-feira (4/8).

A pesquisa foi desenvolvida pelo time da Johns Hopkins Bloomberg School of Medicine, do Fred Hutchinson Cancer Research Center, do Programa de Pesquisa Militar do HIV dos EUA e do Institute for Global Health and Infectious Diseases, vinculado à Universidade da Carlina do Norte, todos nos Estados Unidos.

“O vírus pode persistir por semanas ou meses em indivíduos imunocomprometidos, levando a cepas que carregam uma constelação de mutações, algumas delas se parecem com as variantes de preocupação que atualmente ameaçam nossos esforços de controle”, destacou Morgane Rolland, geneticista do Programa de Pesquisa Militar do HIV dos EUA e uma das principais autoras do artigo.

Para chegar a estas conclusões, os cientistas realizaram uma revisão de publicações científicas dedicadas ao grupo dos imunossuprimidos que tiveram Covid-19 e observaram que os padrões de mutação descritos têm várias semelhanças com as variantes de preocupação e de interesse que se espalharam, como a Gamma, a Delta e a Alfa. “A rápida evolução viral foi descrita em pacientes imunossuprimidos com infecção persistente por Sars-CoV-2”, escreveram.

Os pesquisadores chamam a atenção para a importância da imunização de pacientes imunossuprimidos, considerando também o uso de anticorpos monoclonais profiláticos para prevenir a infecção. Eles também cobraram mais estudos de vacinas focados em pessoas com a imunidade comprometida para auxiliar os profissionais de saúde a prevenir a Covid-19 grave e prolongada, sobretudo nesses grupos.

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