Covid-19: obesidade é pior para mais jovens do que para idosos

Boletins do Ministério da Saúde mostram que doença é mais prevalecente como comorbidade associada no grupo abaixo de 60 anos

atualizado 20/04/2020 12:47

FotoDuets, Istock

Os boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde mostram que a obesidade é um dos principais fatores de risco para a população com menos de 60 anos. É a única comorbidade associada que é mais prevalecente entre os jovens do que entre os idosos que faleceram em decorrência da Covid-19.

Entre os óbitos registrados até 19 de abril, 70% foram de pessoas que apresentavam ao menos uma comorbidade, também chamada de doença associada.

De acordo com as informações do ministério, as cardiopatias e a diabetes são as comorbidades mais presentes nos quadros graves da doença em qualquer faixa etária. No entanto, no grupo abaixo dos 60 anos, a obesidade aparece como a 3ª comorbidade associada, enquanto no grupo acima de 60 anos, ela está em 7º.

 

Gráfico com número de óbitos por grupo de risco
Óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por Covid-19 por grupo de risco até 19 de abril

Ao jornal Estadão, a endocrinologista Amy Rothberg, professora associada da Escola de Medicina da Universidade de Michigan, explicou que a obesidade contribui para um estado inflamatório de produção das moléculas citoquinas. “Elas afetam outros sistemas, causando estresse celular, falta de oxigenação celular e morte celular”.

A informação é preocupante. Atualmente, 19,8% da população brasileira é formada por pessoas obesas, segundo a última Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, feita em 2018.

O aumento do número de obesos foi de 67,8% entre 2006 e 2018 e maior entre os adultos de 25 a 34 anos e 35 a 44 anos. Além disso, mais da metade da população tem excesso de peso.

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