Coquinhos do cerrado podem ser alternativa à gordura trans

Cientistas da Universidade Federal de Lavras criam tecnologia para que óleos das palmeiras Jerivá e Macaúba sejam usados na culinária

Divulgação - Assessoria de Comunicação UFLA

atualizado 29/05/2019 15:18

Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) estão testando novas combinações para criar uma alternativa à gordura trans usada amplamente nos alimentos industrializados. A base do estudo são óleos extraídos dos frutos das palmeiras Jerivá e Macaúba, popularmente conhecidos como coquinhos.

Segundo o pesquisador Cleiton Antônio Nunes, do Departamento de Ciência dos Alimentos da UFLA, o desafio é descobrir ingredientes mais saudáveis que cumpram o mesmo papel das gorduras modificadas quimicamente. “Estamos testando tecnologias de modificação desses óleos, de maneira que possamos adequá-los às aplicações nos alimentos sem alterar a composição. A grande vantagem é que a tecnologia que criamos não modifica quimicamente o óleo e não produz ácidos graxos trans, como ocorre no processo de hidrogenação”, explica.

A amêndoa do Jerivá é composta de um óleo com aroma agradável que lembra o cheiro do coco. Já a palmeira da Macaúba fornece um fruto com espinhos longos e pontiagudos, que é utilizado principalmente para a produção de biodiesel. “A ideia é que possamos propor novos ingredientes lipídicos usando matérias-primas disponíveis na nossa região. Se isso se concretizar, estamos trazendo oportunidades de geração de renda para produtores rurais e de inovação para a indústria alimentícia. Outro benefício importante é a saúde da população”, argumenta.

O especialista conta que ele e sua equipe testaram a aplicação dos óleos em diferentes preparações, como margarina, maionese e recheio de biscoito. “Os próximos passos consistem em melhorar a forma de obtenção dos óleos e de como podemos torná-los mais eficientes”, finaliza Cleiton.

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