Novo comprimido GLP-1 consegue reduzir peso e açúcar no sangue
Estudos mostram perda de até 10,5% do peso corporal e melhora da glicemia com medicamento oral de uso diário
atualizado
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Medicamentos da classe GLP-1 transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos, mas a maioria deles ainda depende de injeções ou exige cuidados específicos na administração. Agora, um novo comprimido de uso diário pode ampliar as opções disponíveis para os pacientes.
Dois estudos de fase 2 publicados nessa segunda-feira (8/6) na revista The Lancet mostraram que o elecoglipron, um remédio oral da classe GLP-1, ajudou a reduzir o peso corporal e os níveis de açúcar no sangue em adultos com e sem diabetes tipo 2.
O medicamento é tomado uma vez ao dia e apresenta algumas diferenças em relação a outras opções já disponíveis. Segundo os pesquisadores, ele não exige jejum antes da administração, pode ser ingerido sem restrições de alimentos ou bebidas e permanece estável em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração.
Essas características podem facilitar o uso por pessoas que têm dificuldade com injeções ou com esquemas mais rigorosos de tratamento.
Resultados dos estudos
Os pesquisadores avaliaram o medicamento em dois grupos. No estudo chamado SOLSTICE, participaram adultos com diabetes tipo 2. Após 26 semanas de tratamento, aqueles que receberam elecoglipron apresentaram reduções importantes na hemoglobina glicada (HbA1c), exame usado para medir o controle da glicose ao longo do tempo. Dependendo da dose utilizada, a queda variou de 0,91 a 1,88 ponto percentual. No grupo que recebeu placebo, a redução foi de apenas 0,15 ponto percentual.
Os participantes também registraram perda de peso, embora o principal objetivo dessa etapa fosse avaliar o controle da glicemia.
Já o estudo VISTA analisou pessoas com sobrepeso ou obesidade que não tinham diabetes tipo 2. Nesse grupo, a redução média do peso corporal variou de 2,6% a 10,5%, dependendo da dose utilizada. Entre os participantes que receberam placebo, a perda foi de apenas 0,6%.
Os pesquisadores também observaram que entre 40,4% e 88,8% dos participantes tratados com elecoglipron conseguiram perder pelo menos 5% do peso corporal. No grupo placebo, essa proporção foi de 15,6%. Além disso, a perda de peso continuou aumentando até a 36ª semana de acompanhamento.
Nos dois estudos, os resultados foram mais expressivos entre os participantes que receberam doses mais elevadas do medicamento.
Possível alternativa às injeções
O elecoglipron pertence a mesma classe de medicamentos que ganhou destaque nos últimos anos por sua capacidade de controlar o apetite e ajudar na perda de peso.
A diferença é que ele foi desenvolvido na forma de comprimido, o que pode se tornar uma alternativa para pacientes que preferem evitar aplicações injetáveis.
Efeitos colaterais e próximos passos
Os efeitos adversos observados foram semelhantes aos já conhecidos para outros medicamentos da classe GLP-1. Náuseas, diarreia, constipação, dor de cabeça e vômitos estiveram entre os sintomas mais relatados pelos participantes. Em geral, os pesquisadores consideraram que o perfil de segurança foi compatível com o de tratamentos semelhantes.
Apesar dos bons resultados, os cientistas destacam que ainda são necessários estudos maiores e de longo prazo para confirmar a eficácia e a segurança do medicamento.
Ensaios clínicos de fase 3 já estão em andamento e deverão ajudar a esclarecer se o novo comprimido poderá se tornar uma nova opção para o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.