Endocrinologista ensina como identificar primeiros sinais da menopausa

Os sintomas iniciais da menopausa costumam ser discretos e, por isso, ignorados, causando dúvida e insegurança

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Mulher cabisbaixa na Perimenopausa
1 de 1 Mulher cabisbaixa na Perimenopausa - Foto: Reprodução

A menopausa não acontece de forma abrupta, ela integra um processo maior chamado climatério. Reconhecer essa diferença evita confusão, diagnósticos precipitados e a banalização de sintomas que afetam corpo e mente.

Segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 30 milhões de mulheres estão no climatério e na menopausa no Brasil.

Climatério, perimenopausa e menopausa: o que muda?

A endocrinologista Mileny Chamizo, da Bio Aisthesis, em Brasília, explica que o climatério é a transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva. Dentro dele está a perimenopausa, fase que geralmente ocorre entre os 38 e 40 anos, com oscilações hormonais e irregularidades menstruais.

A queda progressiva de progesterona e testosterona e as oscilações do estrogênio explicam sintomas que surgem mesmo com ciclos ainda presentes.

A menopausa, por sua vez, é um marco diagnóstico: 12 meses consecutivos sem menstruar. Ou seja, menopausa é uma data; climatério é o processo.

A idade média da menopausa no Brasil varia entre 48 e 52 anos. Antes dos 40 anos considera-se menopausa precoce; entre 40 e 45, antecipada. Após os 55 ainda pode ser considerado normal, desde que não haja patologia. Fatores genéticos, tabagismo, cirurgias ovarianas e doenças autoimunes influenciam o início dela.

Primeiros sinais da menopausa

Os sintomas iniciais costumam ser discretos e, por isso, ignorados. Entre os mais comuns estão:

  • Alterações no ciclo menstrual (mais curto, mais longo ou fluxo diferente);
  • Insônia;
  • Ondas de calor noturnas;
  • Irritabilidade;
  • Redução da libido;
  • Ganho de gordura abdominal;
  • Dor nas mamas;
  • Enxaquecas mais frequentes.
“Muitas mulheres ainda menstruam regularmente, mas já estão em transição hormonal”, afirma Mileny.

Alterações emocionais e cognitivas são frequentes. A oscilação do estradiol interfere na serotonina, dopamina, regulação do sono e função cognitiva.

Quando os sintomas vêm acompanhados de irregularidade menstrual, aumento de gordura abdominal ou piora progressiva após os 35 a 40 anos, o componente hormonal deve ser investigado.

É importante destacar que nem toda irregularidade menstrual indica menopausa. Síndrome dos ovários policísticos, alterações da tireoide, hiperprolactinemia, estresse intenso e mudanças bruscas de peso também podem estar por trás do quadro. A avaliação clínica é indispensável.

Alguns sinais são frequentemente negligenciados e atribuídos apenas à “idade”, mas merecem atenção porque podem estar associados à menopausa. Entre eles, a médica destaca:

  • Dor articular;
  • Queda de cabelo;
  • Ressecamento ocular;
  • Palpitações;
  • Ansiedade;
  • Queda de desempenho físico;
  • Aumento de gordura visceral mesmo com dieta equilibrada.

Reposição hormonal

Segundo Mileny, mulheres sem contraindicações devem ser avaliadas para reposição hormonal, especialmente quando há sintomas moderados a intensos da menopausa, impacto na qualidade de vida, risco aumentado de osteoporose ou menopausa precoce.

A médica ressalta que a reposição pode reduzir em até 30% o risco de morte cardiovascular.

Karoline Fiorotti, professora de geriatria da Afya Educação Médica Vitória, reforça que a menopausa não é doença, mas uma transição fisiológica. Para ela, o momento deve ser encarado como oportunidade de revisar hábitos e investir na saúde óssea, cardiovascular e mental.

“Antes havia uma proteção hormonal natural. Agora é preciso agir de forma consciente para manter essa proteção”, explica.

Treino de força, ingestão adequada de proteína, sono regulado, redução do álcool e manejo do estresse são pilares fundamentais no controle dos sintomas. Sem essas medidas, nenhum tratamento alcança seu potencial máximo.

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Menopausa não é sinônimo de fim, mas ignorar sintomas pode trazer consequências como perda acelerada de massa óssea, aumento do risco cardiovascular e piora metabólica. Identificar a fase correta e buscar acompanhamento é o que transforma essa transição em um período de cuidado e autonomia.

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