Cirurgia de catarata: saiba como é o procedimento feito em Lula
Presidente foi submetido a uma cirurgia de catarata no olho esquerdo nesta sexta-feira (30/1). Lula passou pelo mesmo procedimento em 2020
atualizado
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou nesta sexta-feira (30/1) uma cirurgia de catarata no olho esquerdo. O chefe do Executivo chegou às 7h25 ao CBV Hospital de Olhos, em Brasília, onde passou pelo procedimento, e deixou a unidade por volta das 10h.
Lula permanecerá em repouso na Granja do Torto durante todo o fim de semana, acompanhado pela equipe médica. A previsão é que ele retome as atividades de rotina na próxima segunda-feira (2/2).
Os médicos ouvidos pelo Metrópoles afirmam que a cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais realizados e seguros da oftalmologia. Ela é indicada quando a lente natural do olho, chamada cristalino, começa a ficar turva e prejudica a visão, algo comum com o envelhecimento.
O presidente Lula já havia passado por uma cirurgia semelhante no olho direito em 2020.

Como é a cirurgia de catarata?
A oftalmologista Angélica Machado, do Instituto Avançado da Visão, diz que a operação consiste em substituir a lente natural que ficou opaca por uma lente artificial.
“A cirurgia compreende na remoção do cristalino, que é uma lente que a gente já nasce com ela, mas que com o passar do tempo vai ficando opaca e embaçada. Depois, implantamos uma lente intraocular nova”, explica.
Segundo ela, além de restaurar a visão, o procedimento pode ajudar também na correção de graus, dependendo do tipo de lente utilizada. “Nesse implante, é possível corrigir visão de longe, intermediária ou perto, tudo dependendo da indicação do médico e da lente escolhida pelo paciente”, diz a oftalmologista.

Baixo risco e recuperação rápida
O oftalmologista Jonathan Lake, especialista em cirurgia de catarata do Hospital Oftalmológico de Brasília (HOB), destaca que se trata de uma das cirurgias mais seguras dentro da medicina. “Os riscos são muito, muito baixos, especialmente se for bem indicada e feita no momento certo”, afirma.
Ele explica que, com o envelhecimento, o cristalino vai se tornando mais rígido e, por isso, o ideal é não adiar demais o procedimento. “Quando a catarata fica muito avançada, os riscos aumentam um pouco, mas ainda assim continuam baixos”, ressalta.
O principal cuidado, segundo o médico, está em prevenir inflamações e infecções no pós-operatório. “A gente controla a inflamação com colírios e previne infecções com antibióticos durante e após a cirurgia”, aponta.
O secretário-geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, Mauro Goldbaum, lembra que, apesar de ser amplamente realizada, a cirurgia continua sendo um procedimento médico e exige acompanhamento.
“A principal complicação ocular que preocupa é a infecção dentro do olho, a endoftalmite. Também existe o raro risco de descolamento de retina, que pode aparecer algum tempo depois”, afirma Goldbaum.
O retorno da visão pode ocorrer rapidamente, dependendo das condições do paciente. Jonathan Lake explica que, em casos sem outras doenças associadas, é comum que a melhora seja percebida já no dia seguinte.
“Damos cerca de três dias para ter uma boa visão, mas muitos pacientes já enxergam bem logo após a cirurgia. Tudo depende das condições pré-operatórias e do andamento do procedimento”, diz o oftalmologista.
Cuidados após a cirurgia
O pós-operatório exige repouso e algumas restrições nos primeiros dias. O paciente precisa seguir uma rotina de colírios e evitar atividades que aumentem o risco de irritação ocular.
“O cuidado envolve uso de antibiótico e anti-inflamatório, evitar esforço físico intenso, não dormir do lado operado, não coçar os olhos e usar óculos escuros porque a claridade costuma incomodar mais nesse período”, orienta Angélica.
Além disso, é necessário retornar ao consultório para acompanhar a evolução da recuperação. “Os retornos pós-operatórios são fundamentais para avaliar como está evoluindo a cirurgia”, finaliza a especialista.
