Comer bem pode ajudar a fortalecer o sistema imunológico. Entenda
Estudo indica que células T funcionam melhor após refeições e respondem com mais eficiência a infecções
atualizado
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Comer bem pode ajudar o sistema imunológico a reagir melhor a infecções. Um novo estudo publicado na revista Nature nessa quarta-feira (29/4) indica que certas células de defesa do organismo funcionam com mais eficiência depois de uma refeição.
A pesquisa analisou como a alimentação influencia o comportamento das chamadas células T, um tipo de glóbulo branco responsável por coordenar parte importante da resposta imunológica. As células ajudam o corpo a reconhecer e combater vírus, bactérias e outras ameaças.
Os experimentos foram feitos com camundongos e também com amostras de sangue humano. De acordo com os resultados, após a alimentação, essas células conseguem acessar energia e nutrientes com mais facilidade, o que aumenta sua capacidade de reagir a infecções.
Segundo o imunologista Greg Delgoffe, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, os dados sugerem que o momento da alimentação pode influenciar a eficiência do sistema imune.
“Não costumamos perguntar quando foi a última vez que você comeu e o que você comeu. Mas isso pode fazer uma grande diferença na eficácia das células T”, disse o pesquisador à Nature.
Células T ficam mais ativas após refeições
Para entender o efeito da alimentação, os pesquisadores coletaram sangue de voluntários antes da primeira refeição do dia e novamente cerca de seis horas depois, período em que os participantes podiam comer normalmente.
Em seguida, os cientistas analisaram o metabolismo das células T presentes nessas amostras. Eles observaram que, após as refeições, as células conseguiam absorver melhor açúcares e outros nutrientes necessários para o processo de ativação.
Esse processo exige muita energia. Quando estão bem abastecidas, as células T conseguem se multiplicar com mais facilidade e responder de forma mais rápida a ameaças.
Experimentos com camundongos mostraram resultados semelhantes. Nos animais alimentados, as células T proliferaram mais facilmente e ofereceram maior proteção contra infecções.
Efeito pode durar por longo período
Os cientistas também observaram efeitos duradouros em um tipo específico de célula T conhecido como célula de memória. Essas células fazem parte da proteção de longo prazo do sistema imunológico, pois se multiplicam rapidamente quando encontram novamente um agente infeccioso já reconhecido pelo organismo.
Nos camundongos que se alimentaram, as células de memória apareceram em maior quantidade e mantiveram alta atividade metabólica por semanas ou até meses.
Os resultados também podem ter implicações para tratamentos médicos. Em testes realizados pela equipe, células usadas em terapias imunológicas contra o câncer mostraram atividade maior quando foram obtidas de pessoas que haviam se alimentado.
Agora, os pesquisadores querem investigar se determinados tipos de dieta ou nutrientes específicos podem intensificar esse efeito. A ideia é entender se a alimentação pode ser usada para melhorar a resposta do organismo a vacinas, terapias imunológicas e infecções.
