Tomar colágeno melhora a pele, mas não evita rugas, afirma estudo
Revisão científica aponta benefícios para firmeza e hidratação, mas não encontra provas de que suplemento previna rugas profundas
atualizado
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Tomar colágeno virou rotina para muitas pessoas que buscam melhorar a aparência da pele. Mas, até que ponto a ciência sustenta essa promessa?
Uma revisão científica, publicada pela Academia de Oxford em janeiro de 2026 na revista Aesthetic Surgery Journal, avaliou evidências disponíveis sobre suplementação oral de colágeno e concluiu que ela melhora a pele, mas não evita rugas.
O trabalho reuniu e analisou resultados de diversas meta-análises já publicadas. Isso significa que os pesquisadores não avaliaram apenas um estudo isolado, mas um conjunto amplo de pesquisas clínicas que, juntas, somam milhares de participantes.
O que é o colágeno e para que serve?
O colágeno é uma proteína com múltiplas funções no corpo humano, como o suporte à formação de fibroblastos na derme, substituição de células mortas da pele, proteção de órgãos, contribuição para a estrutura, resistência e elasticidade da pele, além de desempenhar um papel fundamental na coagulação sanguínea.
O objetivo do estudo foi verificar se o uso de suplementos de colágeno realmente traz benefícios mensuráveis para a pele e para estruturas como músculos e articulações. Entre os desfechos avaliados, três tiveram mais ênfase: elasticidade, hidratação e rugas.
A revisão trouxe evidências consistentes de que o uso prolongado de colágeno melhora, sim, a elasticidade da pele e a hidratação cutânea, que são fatores que contribuem para uma pele mais firme e bonita.
O colágeno evita rugas?
Apesar dos benefícios citados acima, a revisão destaca que as evidências não foram suficientes para afirmar que o colágeno previne ou reduz rugas profundas de forma consistente.
Alguns estudos incluídos na pesquisa relataram inclusive pequenas reduções na profundidade ou na visibilidade de linhas finas. No entanto, os autores ressaltam que os dados ainda apresentam limitações metodológicas — como variações nas doses utilizadas, no tipo de colágeno, na duração da suplementação e no perfil dos participantes.
Por isso, a conclusão é cautelosa: o suplemento pode melhorar a qualidade geral da pele, mas não deve ser encarado como um tratamento comprovado contra rugas.
Os próprios autores apontam que os estudos disponíveis apresentam diferenças importantes entre si. Nem todos utilizam os mesmos critérios para medir rugas, por exemplo.
Além disso, fatores como exposição solar, genética, tabagismo e alimentação também influenciam o envelhecimento da pele. Outro ponto é que a formação de rugas profundas envolve alterações estruturais mais complexas do que apenas a redução de colágeno na pele.
Através dos resultados encontrados, os pesquisadores explicam que melhorar elasticidade e hidratação não significa, necessariamente, eliminar rugas já estabelecidas.
Em outras palavras, o suplemento pode contribuir para uma pele com aparência mais saudável, mas não substitui cuidados comprovadamente eficazes, como proteção solar diária e hábitos de vida saudáveis.
