Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube

Apuração pelo Brasil

Saúde

Cientistas identificam alvo no cérebro para conter inflamação no Alzheimer

Experimentos com tecido humano mostram que bloquear um receptor diminui resposta inflamatória em células cerebrais

05/10/2026 11:36
Bhautik Patel/Unsplash
Cérebro. Metrópoles

Um estudo com tecido cerebral humano aponta um possível caminho para reduzir a inflamação associada ao Alzheimer e a outras doenças neurológicas. A pesquisa indica que bloquear um receptor específico nas células do cérebro pode diminuir a resposta inflamatória.

O trabalho foi conduzido por cientistas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, e publicado na revista Brain em 19 de fevereiro. A equipe analisou culturas de células cerebrais e amostras de tecido obtidas durante cirurgias.

Receptor ligado à inflamação

Os pesquisadores investigaram o papel do receptor P2X7, envolvido na ativação de processos inflamatórios no cérebro. Esse receptor estimula a liberação de citocinas, proteínas que regulam a inflamação.

Ao bloquear o P2X7 com um composto já existente, a equipe observou uma redução da resposta inflamatória nas amostras analisadas. O efeito foi visto tanto em células quanto em fragmentos de tecido cerebral humano.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Segundo os autores, esse mecanismo pode estar presente em diferentes condições, como Alzheimer, Parkinson e lesões cerebrais traumáticas.

Como o estudo foi feito

Para entender melhor o funcionamento das células de defesa do cérebro, os cientistas criaram um modelo em laboratório a partir de células do sangue. Essas células foram transformadas em estruturas semelhantes à microglia, responsáveis por coordenar a resposta imunológica no sistema nervoso.

Esse modelo permitiu observar como essas células reagem a sinais inflamatórios. Quando o receptor P2X7 foi bloqueado, houve interrupção de sinais liberados em situações de dano celular.

Os resultados foram confirmados em tecido cerebral humano retirado durante procedimentos neurocirúrgicos, o que reforça a relevância dos achados.

Cientistas identificam alvo no cérebro para conter inflamação no Alzheimer - destaque galeria
8 imagens
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
1 de 8

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

PM Images/ Getty Images
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
2 de 8

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
3 de 8

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

Westend61/ Getty Images
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
4 de 8

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

urbazon/ Getty Images
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
5 de 8

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

OsakaWayne Studios/ Getty Images
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
6 de 8

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

Kobus Louw/ Getty Images
Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
7 de 8

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

Rossella De Berti/ Getty Images
O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
8 de 8

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

Próximos passos

Os pesquisadores afirmam que o uso de medicamentos que atuam nesse receptor pode ser explorado em estudos clínicos no futuro. A proposta é avaliar se a estratégia consegue reduzir a inflamação em pacientes com doenças neurodegenerativas ou com lesões no cérebro.

Hoje, não há tratamentos farmacológicos eficazes para controlar a inflamação em muitas dessas condições. Por isso, identificar esse tipo de alvo pode orientar novas abordagens de tratamento.