Cientistas dizem que amostra de Deltacron pode ser erro de laboratório
A Deltacron foi identificada por pesquisadores do Chipre, mas especialistas indicam que descoberta não é união da Ômicron com Delta

Nessa segunda (10/1), uma nova cepa de Covid-19, que combina as variantes Ômicron e Delta, teria sido identificada por pesquisadores do Chipre em ao menos 25 pessoas. Entretanto, cientistas pedem calma ao analisar a supervariante apelidada de Deltacron.
A médica Krutika Kuppalli, que integra o grupo técnico da Organização Mundial da Saúde, afirmou que as cepas não formaram uma nova variante. “Este é provavelmente um artefato de sequenciamento com contaminação de laboratório, tendo fragmentos de Ômicron em uma amostra Delta”, comentou a especialista no Twitter.

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Ver todasO virologista do Imperial College de Londres, Tom Peacock, explicou que a sequência genética da Deltacron parece estar infectada. De acordo com o médico, embora exista um subconjunto de mutações em comum, a maioria provavelmente é produto de co-infecção. Isso acontece porque as duas variantes ainda circulam em grande quantidade.
Peacock indica que ainda não há sinais claros de algo real ou desagradável acontecendo. “Isso não está realmente relacionado à qualidade do laboratório ou qualquer coisa semelhante. Literalmente, acontece com todos os laboratórios de sequenciamento ocasionalmente”, ressaltou.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e CiênciaJeffrey Barrett, diretor da Covid Genomics Initiative no Wellcome Sanger Institute, desconsiderou que as duas linhagens tenham se unido. “Isso, quase certamente, não é um recombinante biológico das linhagens Delta e Ômicron”, disse ele para o jornal britânico Daily Mail.
Deltacron
A Deltacron foi anunciada pelo professor de ciências biológicas da Universidade de Chipre e chefe do Laboratório de Biotecnologia e Virologia Molecular, Leondios Kostrikis, na última sexta-feira (7/1). Segundo ele, a cepa já tinha infectado ao menos 25 pessoas no país.
A descoberta da nova alteração recebeu a denominação devido à identificação de assinaturas genéticas semelhantes à Ômicron dentro dos genomas da Delta. No entanto, ainda segundo o professor, a frequência relativa da infecção combinada é maior entre os pacientes hospitalizados devido à Covid-19 em comparação com os pacientes não hospitalizados.
“Veremos no futuro se essa cepa é mais patológica ou contagiosa, ou se prevalecerá sobre a variante Delta e a variante Ômicron”, destacou Kostrikis.
No entanto, segundo o especialista, provavelmente essa linhagem do coronavírus também será substituída pela variante Ômicron, que é altamente contagiosa.



















