Cientistas descobrem órgão no crânio que pode atuar contra tumores
Estudo em ratos indica que região próxima ao cérebro pode atuar na defesa contra câncer e ajudar no desenvolvimento de novas terapias

Pesquisadores identificaram uma estrutura imunológica dentro do crânio que pode atuar na defesa contra tumores cerebrais, de acordo com um novo estudo publicado nessa quarta-feira (19/8) na revista Nature.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, e, até agora, os achados foram observados apenas em ratos. Ainda assim, há indícios de que estruturas semelhantes possam existir em humanos.
“Esse estudo revela que a medula óssea do crânio abriga centros de respostas imunes específicas do cérebro que antes eram desconhecidos”, afirma o imunologista Jonathan Kipnis, autor sênior do trabalho, em comunicado.

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Ver todasDefesa localizada perto do cérebro
Os pesquisadores descrevem essa estrutura como um tipo de centro de treinamento de células de defesa instalado na medula óssea do crânio, próximo ao cérebro. Ali, células do sistema imune são preparadas para reconhecer e combater ameaças.
Esse funcionamento lembra o que ocorre nos gânglios linfáticos, onde células B se multiplicam e são “treinadas” para atacar agentes invasores. A diferença é que, nesse caso, o processo acontece muito perto do cérebro, o que pode acelerar a resposta do organismo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência“Nunca tínhamos visto estruturas desse tipo em medula óssea saudável”, diz o biólogo celular Jang Hyun Park, primeiro autor do estudo.
Como os cientistas chegaram à descoberta
Para entender como essas células se comportam, a equipe usou proteínas fluorescentes para acompanhar o trajeto de moléculas do cérebro até o crânio. Elas viajaram por pequenos canais que conectam o tecido cerebral à medula óssea craniana.
No fim desse percurso, os cientistas encontraram estruturas semelhantes aos chamados centros germinativos — regiões conhecidas por organizar a resposta imunológica.
Esses canais já haviam sido identificados em estudos anteriores, mas agora foi possível observar para onde levavam e como participam da defesa do organismo.
Relação com câncer cerebral
Os pesquisadores testaram o papel dessas estruturas em modelos de glioma, um tipo agressivo de câncer cerebral. Quando a atividade imunológica nessa região foi reduzida, os tumores cresceram mais rápido e a sobrevivência dos animais caiu.
Por outro lado, ao estimular essa resposta com proteínas específicas, os camundongos apresentaram maior controle do tumor e viveram mais. Os resultados sugerem que essa região pode atuar como uma primeira linha de defesa contra o câncer no cérebro.
O que ainda falta entender
Apesar dos achados, os autores destacam que ainda é cedo para aplicar os resultados em humanos. A presença de células semelhantes já foi observada em crânios humanos, mas não há confirmação de que essas estruturas funcionem da mesma forma.
Se isso se confirmar, terapias menos invasivas podem ser exploradas no futuro. Uma das hipóteses levantadas no estudo é o uso de substâncias aplicadas sob o couro cabeludo para estimular essa resposta imunológica, sem necessidade de cirurgia direta no cérebro. “Essa descoberta muda a forma como entendemos a relação entre o sistema imunológico e o cérebro”, finaliza Kipnis.



