Estudo encontra “chave” para criação de anticoncepcional masculino

Cientistas identificam mecanismo de energia do espermatozoide que pode ser alvo para métodos anticoncepcionais masculinos não hormonais

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1 de 1 Foto colorida de armazenador de remédios, enquanto uma mão masculina escolhe o que pegar - Metrópoles. - Foto: Freepik

Cientistas da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, descobriram um mecanismo que ajuda o espermatozoide a aumentar rapidamente sua produção de energia no momento em que precisa fecundar o óvulo.

O achado, publicado em junho de 2025 na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), pode abrir caminho para o desenvolvimento de métodos anticoncepcionais masculinos que não mexam com hormônios.

O estudo mostra que, quando o espermatozoide se aproxima do óvulo, ele precisa “pisar no acelerador” para nadar com mais força. Para isso, aumenta o uso de glicose (açúcar que serve como combustível celular).

O aumento do consumo de glicose ocorre por meio de uma enzima chamada aldolase, que funciona como um “interruptor”, ativando a produção extra de energia.

No artigo, os autores descrevem que os espermatozoides enfrentam uma demanda energética muito alta antes da fertilização. Para dar conta disso, eles aumentam o fluxo de glicose na via glicolítica — conjunto de reações que transforma açúcar em energia.

A aldolase tem papel central nesse processo. Quando sua atividade aumenta, mais energia é liberada para a célula. Por isso, os pesquisadores tratam esse mecanismo como um “interruptor molecular”: ele ajuda a ligar a potência necessária para que o espermatozoide consiga fecundar o óvulo.

Anticoncepcional masculino

Hoje, os principais métodos contraceptivos para homens são o preservativo e a vasectomia. Pesquisas com anticoncepcionais hormonais existem, mas ainda enfrentam desafios ligados a efeitos colaterais e segurança.

A descoberta abre uma nova possibilidade: em vez de mexer nos hormônios, seria possível tentar bloquear o mecanismo de produção de energia. Se o espermatozoide não conseguir ativar esse “interruptor”, ele pode perder a capacidade de fertilizar o óvulo.

Embora o estudo ainda não tenha chegado ao ponto do desenvolvimento de um anticoncepcional masculino, ele dá um passo significativo ao identificar um possível alvo biológico que pode ser explorado no futuro.

Os pesquisadores ainda precisam testar se é possível bloquear esse mecanismo de forma segura, reversível e eficaz em humanos. Também será necessário avaliar possíveis efeitos colaterais.

Mesmo assim, o trabalho amplia o entendimento sobre como o espermatozoide funciona e oferece um caminho promissor para métodos contraceptivos masculinos não hormonais.

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