Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Câncer de mama: mulheres negras morrem 3,8 vezes mais que brancas, diz Inca

Atraso no diagnóstico e maior incidência do tipo triplo-negativo podem explicar a disparidade de mortalidade no câncer de mama

28/10/2026 15:51
Magnific
Imagem colorida de uma mulher negra fazendo autoxame de mama - Metrópoles

De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), mulheres negras têm uma taxa de mortalidade por câncer de mama 3,8 vezes maior do que as mulheres brancas.

Os dados estão compilados na publicação

Disparidades raciais na incidência do câncer de mama

Carregando PDF...
, lançado na sede do Inca nessa terça-feira (27/10), no Rio de Janeiro, durante um evento do Outubro Rosa.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Apesar de a incidência da doença ser maior em mulheres brancas, as negras apresentam índices mais elevados de mortalidade. Essa diferença pode estar relacionada às características biológicas dos tumores e também à desigualdade de acesso à saúde.

Para Márcia Sarpa, coordenadora de Prevenção e Vigilância do Inca, esta relação está ligada aos diagnósticos tardios. “O diagnóstico da doença em fase avançada é mais frequente entre as mulheres negras (60%) do que entre as mulheres brancas (50%)”, explica.

Segundo o levantamento, as mulheres negras têm maiores incidências do câncer de mama triplo-negativo — um subtipo considerado mais agressivo, de difícil detecção e tratamento, e com potencial de se espalhar para outras partes do corpo rapidamente.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Além disso, as desigualdades socioeconômicas, as dificuldades de acesso aos serviços de saúde e situações de estresse relacionadas às condições de vida podem estar entre os fatores que contribuem para as disparidades raciais no câncer de mama, assim como elementos relacionados à ancestralidade.

O diretor-geral do Inca, Roberto Gil, acredita que os resultados do estudo mostram a necessidade de construir políticas públicas com equidade, para possibilitar o acesso uniforme de todas as populações aos serviços de saúde.

“O papel da prevenção é determinante. Se a gente continuar sem olhar o aumento da incidência, estaremos sempre lidando com um problema cada vez maior”, destaca.

O documento defende também a importância de reduzir fatores de risco, como obesidade e consumo de bebidas alcoólicas, além de incentivar hábitos saudáveis como boa alimentação, prática de atividade física e aleitamento materno.

Segundo estimativas do Inca, cerca de 17% dos casos poderiam ser prevenidos com a adoção desses hábitos.