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Saúde

Exposição ao calor na gravidez pode afetar avanço cerebral do feto

Estudo fez associação entre temperaturas mais altas durante a gravidez, primeiros meses de vida e crescimento mais lento do cérebro

15/07/2026 11:25, atualizado 15/07/2026 11:26
Freepik
Foto colorida de mulher grávida sentada na cama, com close na barriga - Metrópoles.

A exposição ao calor durante a gestação e nos primeiros meses após o nascimento pode influenciar o desenvolvimento do cérebro infantil. A conclusão é de um estudo conduzido pelo Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), na Espanha, que encontrou associação entre temperaturas mais altas nesse período e um crescimento mais lento do tálamo, estrutura responsável por processar informações sensoriais e participar de funções como memória, atenção e aprendizado.

Os resultados foram publicados no início de julho na revista científica Environment International. Segundo os pesquisadores, a gestação e a primeira infância representam uma fase de intensa formação cerebral, tornando o organismo mais vulnerável a fatores ambientais.

Com o aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor provocado pelas mudanças climáticas, compreender os impactos da temperatura sobre a saúde infantil tornou-se uma preocupação crescente.

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Como a pesquisa foi realizada

O estudo acompanhou 3.251 crianças participantes do Generation R Study, uma coorte de nascimento realizada na Holanda. Os cientistas estimaram a temperatura média registrada nos locais onde as famílias moravam desde a gestação até os oito anos e meio de idade.

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Depois, compararam essas informações com exames de ressonância magnética realizados quando as crianças tinham, em média, 10 e 14 anos. Ao todo, foram avaliadas 11 estruturas cerebrais para verificar se a exposição ao calor ou ao frio influenciava o crescimento do cérebro ao longo da infância.


O que o estudo encontrou

  • Foram analisadas 3.251 crianças desde a gestação;
  • A exposição ao calor foi acompanhada até os 8,5 anos de idade;
  • O maior efeito foi observado durante toda a gravidez e nos três primeiros meses de vida;
  • Entre as 11 estruturas cerebrais avaliadas, apenas o tálamo apresentou crescimento mais lento associado ao calor;
  • Não foi encontrada associação entre exposição ao frio e alterações no desenvolvimento cerebral.

A análise mostrou que crianças expostas a temperaturas mais altas durante toda a gestação e nos três primeiros meses de vida apresentaram crescimento mais lento do tálamo entre os 10 e os 14 anos de idade.

Além disso, o crescimento mais lento do tálamo também esteve associado a uma maior frequência de comportamentos externalizantes na adolescência, como atitudes agressivas e desrespeito a regras. Os autores ressaltam, porém, que o estudo identifica uma associação entre os fatores, sem comprovar uma relação de causa e efeito.

Para o estudo, a temperatura foi estimada com base nos registros ambientais das regiões, sem medir a exposição individual de cada gestante ou criança ao calor. Fatores como uso de ar-condicionado, características das moradias e tempo passado em ambientes fechados também não foram avaliados.

Apesar das limitações, a equipe afirma que os resultados reforçam a importância de proteger gestantes e bebês durante períodos de calor intenso e de aprofundar as pesquisas sobre os efeitos das mudanças climáticas no desenvolvimento infantil.