Califórnia proíbe aula antes das 8h. Motivo: saúde dos estudantes

A norma foi criada a partir de relatório do CDC que relaciona a qualidade do sono com desempenho escolar, depressão e abuso de substâncias

atualizado 16/10/2019 15:56

Unsplash/Divulgação

Os estudantes da Califórnia, nos Estados Unidos, têm um bom motivo para comemorar: a partir de agora está proibido que as aulas comecem antes das 8h para o ensino fundamental e antes das 8h30 para o ensino médio. A norma foi criada a partir de um relatório publicado no ano passado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, da sigla em inglês) que relaciona a qualidade do sono com o desempenho escolar.

A lei foi assinada pelo governador da Califórnia, Gavin Newsom. As escolas terão três anos para se adaptar, ou seja, todas as instituições deverão ter os novos horários de início estabelecidos até 2022.

De acordo com o CDC, mais de 60% dos alunos do ensino médio e 70% das escolas secundárias não dormem o suficiente todas as noites. Isso não só afetaria o desempenho deles na escola, mas ocasiona problemas de saúde física e mental, como depressão e abuso de substâncias tóxicas.

O argumento dado pelos defensores da nova medida seriam estudos recentes que sugerem que os horários de início mais tarde resultam em melhor atendimento, menos atraso, menos alunos adormecendo em sala de aula e melhores notas.

Antes da aprovação do projeto, quase 80% das escolas públicas de ensino fundamental e médio do estado davam início às aulas antes das 8h30, sendo que o horário médio de início era 8h07. Em 2011, de acordo com o Centro Nacional de Estatísticas da Educação norte-americano, o horário médio de início das escolas públicas de ensino médio era 7h59.

Os opositores da lei alegam que a mudança pode acarretar dores de cabeça para pais que levam os filhos para a escola e têm horários rígidos de trabalho. A Academia Americana de Pediatria publicou uma declaração em que afirma que faltam provas consistentes de que atrasar o horário de início das aulas pode melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes.

De fato, a discussão é antiga. Um estudo do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) feito em 2018 mostrou que cochilos pós-aula de 30 minutos podem aumentar em 10% a retenção do conteúdo.

Em 2017, pesquisadores da Academia Americana de Medicina do Sono realizaram um estudo com 50 mil estudantes e descobriram que adolescentes que dormem sete horas ou menos durante a semana têm mais risco de se meter em encrencas e acidentes. (Com informações do portal Daily Mail.)

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