Por que a mente precisa descansar para lembrar as respostas da prova?

Boas noites de sono, intervalos e atividades relaxantes são importantes para a memória de concurseiros e estudantes em geral

atualizado 12/01/2019 21:56

iStock/Foto ilustrativa

O cérebro humano precisa estar tranquilo e descansado para adquirir conhecimentos e retê-los na memória. Esse estado de relaxamento é exatamente o oposto daquele encontrado entre os concurseiros. Espera-se, inclusive, que o estresse seja elemento essencial e quase desejado enquanto se prepara para as provas dos concursos públicos.

Em vez de explorar o melhor potencial da mente, a manutenção constante do estado de alerta provoca consequências físicas, emocionais e cognitivas. Sentir dores de cabeça e musculares, irritabilidade, nervosismo e sono desregulado passou a ser considerado normal. Mas não é. O esgotamento mental é um sinal de alerta, afinal, pode levar a quadros sérios de prejuízo psicológicos como depressão e crises de pânico, além de atingir em cheio a produtividade e o processo de aprendizagem.

Antes de chegar à estafa, o corpo emite indícios relevantes que não está bem. Alguns dos mais recorrentes são a perda de atenção e da memória – até para informações corriqueiras –, queda na qualidade do sono e insônia, diminuição significativa da libido, alterações de humor, sensação de cansaço constante sem motivo aparente, incômodos digestivos, abatimento, angústia e tristeza. Não se trata de um pré-diagnóstico, mas de elementos que sinalizam sobre a necessidade do descanso.

Sono reparador
Mais importante que as conhecidas oito horas recomendadas pelos cientistas aos adultos, o sono precisa ser reparador. Isso quer dizer que o tempo dormindo – período que tem variações individuais – atende às necessidades de relaxamento dos músculos e dos órgãos do corpo, bem como a redução das atividades de estímulo cerebral.

É durante uma noite bem dormida que os conhecimentos aprendidos durante o dia são “processados” e “encaminhados” para a memória de longo prazo. Portanto, a principal resposta para a preocupação dos concurseiros sobre como se lembrar do que estudaram na hora da prova.

Os especialistas no assunto garantem que é possível ter melhor qualidade na hora de dormir criando um ambiente silencioso, temperatura confortável, sem aparelhos eletrônicos (celular, computador ou TV), totalmente escuro. Também recomendam que o desligamento das atividades do dia seja gradual até a hora de se deitar, evitando preocupações, álcool e cafeína, comidas de difícil digestão e outros fatores estimulantes. Para completar, dormir e acordar sempre no mesmo horário cria um hábito altamente positivo.

Atividades de relaxamento
Não só o sono é capaz de promover descanso para a mente. As atividades físicas aeróbicas, apesar de mais intensas, oxigenam o cérebro e incentivam a produção de hormônios que proporcionam bem-estar. Esse grupo de exercícios é capaz de potencializar as funções cognitivas, melhorando o raciocínio lógico, a atenção, o foco e a memorização.

Até um simples alongamento antes de se sentar para estudar já tem um efeito significativo na postura, alívio de tensões e capacidade respiratória. A ioga oferece técnicas de conexão e consciência corporal capazes de potencializar esses benefícios.

Pausas e cochilos
A tendência natural do cérebro é a acomodação. Essa é a razão pela qual ter uma lista de tarefas estabelecida antecipadamente se torna mais eficiente e produtivo do que tomar decisões a todo tempo sobre o que fazer.

De igual maneira, quebrar o padrão e variar as atividades ativa áreas diferente evita a sobrecarga que leva à estafa. Sendo assim, as pausas são essenciais. Após, no máximo, duas horas de estudo de uma mesma disciplina está na hora de descansar um pouco (de 10 a 15 min) e mudar de foco, passando para uma matéria com conteúdo totalmente diferente.

Para algumas pessoas, o período deve ser ainda menor, como sugere o método Pomodoro, com ciclos de 25 minutos de dedicação, seguido de 5 minutos de pausa. Após repetir quatro ciclos, a pausa deve ser mais longa, de 15 a 30 minutos. A metodologia pode ser adaptada desde que respeitada a sequência.

Sonecas revigoram as energias, garantem os cientistas. Dormir entre 10 e 40 minutos, como nas tradicionais “siestas” mexicanas e espanhóis, reduz a pressão sanguínea, a agitação e baixa consideravelmente os níveis de agitação. Entretanto, o cochilo não pode passar de 40 minutos, pois a intenção é não atingir a terceira das cinco fases do sono, quando as atividades cerebrais ficam ainda mais lentas e, se interrompida, podem gerar ainda mais cansaço, sonolência e indisposição.

Dormir, relaxar, cochilar nas doses certas não são perdas do precioso tempo do candidato já tão atarefado, mas um investimento tanto para a boa disposição para a rotina quanto para o aprendizado. Sem contar que, na hora da prova, o condicionamento adquirido vai se refletir no resgate dos conteúdos estudados exigidos para responder as questões e minimizar os impactos físicos e emocionais negativos do momento da avaliação.

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