“Brasil é exemplo no combate ao fumo”, diz especialista internacional

O cardiologista Stanton Glantz, da Universidade da Califórnia, esteve em Brasília a convite do Conselho Federal de Medicina

Mathew MacQuarrie, UnsplashMathew MacQuarrie, Unsplash

atualizado 04/09/2019 18:17

Uma das principais vozes do mundo no combate ao tabagismo, Stanton Glantz esteve em Brasília para participar do Fórum sobre Tabagismo do Conselho Federal de Medicina (CFM). Na ocasião, o diretor do Centro de Pesquisa e Educação sobre Controle do Tabaco da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, afirmou que o Brasil é uma referência mundial em relação ao controle do uso do tabaco.

Em entrevista ao Metrópoles, o cardiologista Stanton Glantz afirmou que o governo brasileiro é um exemplo pelas políticas públicas que conduziu para desestimular o consumo de cigarros. Também alertou sobre as pressões atuais para a autorização da venda de cigarros eletrônicos. Neste momento, o assunto está em discussão na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O médico afirma que o vaper (dispositivo eletrônico) funciona de maneira diferente, mas traz malefícios semelhantes ao cigarro tradicional e, ao contrário do que se propaga, na maioria dos casos não ajuda a controlar o vício. “Os cigarros eletrônicos são um desastre. Vocês estão muito mais avançados do que os Estados Unidos. Quanto mais aprendemos sobre os cigarros eletrônicos, mais perigosos eles se mostram. Está claro que ele é tão ruim quanto o tradicional quando falamos em doenças cardíacas e, potencialmente, pior para os problemas de pulmão”, afirma. “Os riscos são os mesmos e os números mostram que, em países onde o uso é legalizado, o cigarro eletrônico acaba atraindo crianças que provavelmente não experimentariam o cigarro tradicional.”

Glantz alerta ainda que a indústria tabagista está interessada em que os cigarros eletrônicos se popularizem para manter seu faturamento. “São produtos desenhados para evitar que as pessoas larguem a nicotina. As pessoas acabam fumando das duas formas, a tradicional e a eletrônica”, explica. “O Brasil teve muito sucesso para controlar essa epidemia de tabaco, e eu vim até aqui para dizer que vocês estão fazendo a coisa certa. Deixar esses produtos entrarem no mercado vai reverter todo o avanço conseguido”, destaca o especialista.

Ainda não há estudos sobre a fumaça e os efeitos do cigarro eletrônico nos fumantes passivos, mas Glantz acredita que eles são semelhantes aos provocados pelo cigarro tradicional.

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