“Benefício das vacinas contra Covid-19 ultrapassa riscos”, afirma OMS

Diretores da entidade voltaram a defender que a vacinação é uma das principais ferramentas para controlar a disseminação da infecção

atualizado 12/02/2021 14:47

soumya swaminathan OMS Reprodução

Em entrevista coletiva na tarde desta sexta-feira (12/2), a cientista-chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS), Soumya Swaminathan, afirmou que, apesar do surgimento de várias variantes do coronavírus, os benefícios trazidos pelas vacinas superam riscos e defendeu que os imunizantes contra a Covid-19 continuem sendo aplicados nos países. Ela afirmou que cada governo tem autonomia para tomar a decisão baseada na situação epidemiológica local, mas a recomendação da entidade é que a vacinação prossiga.

“Essa é a evolução natural do vírus. Pela primeira vez, temos informações genômicas sendo compartilhadas rapidamente, e nossa habilidade de acompanhar as mutações melhorou muito. Mas não podemos entrar em pânico. Para a maioria do mundo agora, o benefício das vacinas supera os riscos”, defendeu.

O conselheiro do diretor-geral da OMS, Bruce Aylward, disse que é preciso controlar o coronavírus o mais rápido possível, e a vacina é uma ferramenta que ajudará nesse processo. “O que sabemos até agora é que elas devem diminuir a chance de quadros graves, diminuindo a mortalidade”, afirmou.

Ele lembrou que é preciso esperar os resultados de estudos maiores, como o que está sendo feito nos Estados Unidos, para definir qual imunizante deve ser usado para cada população. Mas, até que se tenha esse tipo de informação, o especialista defendeu que as vacinas continuem sendo aplicadas.

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Expedição a Wuhan

Peter Benembarek, líder da expedição organizada pela OMS que foi à Wuhan investigar o início da pandemia também esteve presente na coletiva. Segundo ele, a investigação foi apenas o primeiro passo para entender o que aconteceu. “Temos um entendimento melhor do que aconteceu no mercado de Wuhan, e o papel dele nessa situação, e percebemos que não houve epidemia na cidade nos meses anteriores ao primeiro caso confirmado. Ainda estamos longe de entender o caminho que o vírus percorreu, mas foi o primeiro passo”, detalhou.

Para ele, é pouco provável que o vírus tenha saído do laboratório central da cidade, uma vez que o centro de pesquisa não trabalhava com este tipo de coronavírus, assim como nenhum outro no mundo.

O time que esteve na China está escrevendo um relatório completo sobre a experiência, que deve ser divulgado na próxima semana. Apesar de ter sido uma investigação proveitosa, o grupo levantou novas perguntas que precisarão ser respondidas nas próximas etapas do estudo.

“Fizemos progresso. É o que se faz em ciência. Todos estamos ansiosos para entender as origens da Covid-19, mas demoramos anos e anos para aprender as origens do Ebola, por exemplo, e até hoje não sabemos direito o que causa os novos surtos”, disse Michael Ryan, diretor de emergências da entidade. Por enquanto, não há outras viagens agendadas para prosseguir com a investigação.

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