Apedrejado por família de paciente com Covid-19, médico desabafa: “Cansei”

Daniel Gatica comoveu a Argentina com longo relato sobre as dificuldades dos profissionais de saúde durante a pandemia de Covid-19

atualizado 26/09/2020 15:38

médico que comoveu argentina com relato no facebookDivulgação/Facebook

Agredido a pedradas por familiares de um paciente que morreu por causa da Covid-19, o médico argentino Daniel Gatica fez um relato no Facebook que comoveu a Argentina.

Daniel estava do lado de fora do hospital dando notícias de um paciente a seus familiares, quando parentes de outra pessoa foram comunicadas sobre o falecimento dela.

“Dois indivíduos desajustados começaram a jogar pedras onde eu estava. Uma passou a alguns centímetros do meu rosto e quebrou um vidro. Outra caiu no meu pé. Só não aconteceu algo pior graças aos familiares dos outros pacientes que me protegeram e contiveram os dois imprestáveis.​”

A situação foi a gota d´água para que Daniel se demitisse publicamente alegando ter chegado ao limite da saúde mental pelas condições de trabalho enfrentadas durante o combate à pandemia provocada pelo novo coronavírus. “Hoje digo basta, hoje sinto que fracassei.” No texto, o médico relatou que estava passando por situações extremas de estresse há 12 dias.

“Estou cansado de ter três mortes em uma tarde ou cinco em uma noite e saber que nunca há um leito na UTI. Quantas vezes eu dormi de pé, ainda usando o EPI [equipamento de proteção individual], depois de atender 32, 40 ou 64 pacientes”, afirmou.

Residente em medicina há três anos, Daniel também destacou a “hipocrisia” da sociedade Argentina que, segundo ele, não manteve o isolamento social necessário para evitar a contaminação e agora cobra os profissionais de saúde pelas mortes da pandemia.

Publicado nas redes sociais em 13 de setembro, o depoimento de Daniel viralizou, alcançando o prefeito da cidade onde ele trabalha.

O prefeito pediu que Daniel não desistisse e prometeu melhorar as condições do hospital. Em entrevista ao jornal Perfil, Daniel relatou que permanece trabalhando e que, com os reforços prometidos, a equipe em que ele trabalha conseguiu melhorar a atenção aos doentes do local.

 

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