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Saúde

Anvisa alerta para alta de reações no uso de testosterona por mulheres

A indicação do hormônio depende de análise individual; seu uso indevido pode trazer riscos ao coração e ao fígado

07/08/2026 10:26, atualizado 07/08/2026 11:06
simarik/ Getty Images
Mulher de costas com roupa de academia - Metrópoles

A reposição de testosterona em mulheres não é uma recomendação geral e deve ser feita apenas em situações específicas, após avaliação médica. A orientação vem de sociedades médicas e de dados acompanhados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em meio à circulação de conteúdos nas redes sociais que defendem o uso do hormônio para melhorar disposição, libido e aparência.

Segundo especialistas, a ideia de que toda mulher precisa repor testosterona para manter a saúde ou evitar efeitos do envelhecimento não tem base científica. A indicação depende de análise individual, com avaliação de sintomas, exames e histórico clínico.

Quando o uso é indicado

De acordo com entidades como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), há apenas uma indicação reconhecida para o uso terapêutico da testosterona em mulheres.

O hormônio pode ser considerado em casos de transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa. Mesmo nessa situação, o tratamento deve ser avaliado com cautela e indicado apenas quando outras abordagens não apresentaram resultado.

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As entidades também alertam que a prática de dosar testosterona como exame de rotina, ou a justificativa de “déficit androgênico”, não têm respaldo científico e podem levar a prescrições sem necessidade.

Riscos do uso sem indicação

O uso de testosterona sem indicação clínica, em doses inadequadas ou combinado com outras substâncias, pode causar efeitos adversos. Entre eles estão acne, queda de cabelo, alterações no fígado, mudanças nos níveis de gordura no sangue e problemas cardiovasculares. Também há registros de dependência psíquica associada ao uso de hormônios desse tipo.

Dados de farmacovigilância da Anvisa mostram aumento nas notificações de eventos adversos relacionados a medicamentos anabolizantes nos últimos anos, com maior número de registros em 2024. Testosterona e somatropina concentram a maior parte desses relatos.

A agência destaca que esse crescimento pode estar ligado a uma maior notificação por parte de pacientes e profissionais de saúde, além da ampliação dos sistemas de registro, e não necessariamente a um aumento proporcional de problemas.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que promessas de benefícios gerais, como mais energia ou melhora estética, devem ser vistas com cautela e não substituem a avaliação médica individual.