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Saúde

Uso de testosterona sem indicação eleva risco de infarto, AVC e morte

Estudo com quase 360 mil homens mostra que terapia hormonal sem diagnóstico de hipogonadismo está ligada a mais eventos cardiovasculares

31/07/2026 15:09
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Imagem mostra um frasco e uma seringa. Metrópoles

O uso de testosterona sem indicação médica pode aumentar o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), parada cardíaca, insuficiência cardíaca e morte. A conclusão é do maior estudo já realizado para comparar homens que utilizaram a terapia hormonal com e sem diagnóstico de hipogonadismo, condição em que o organismo produz quantidades insuficientes do hormônio.

A pesquisa, publicada em 9 de julho na revista eBioMedicine, acompanhou quase 360 mil homens por até 10 anos e constatou que os riscos cardiovasculares foram significativamente maiores entre aqueles que iniciaram a terapia sem apresentar evidências clínicas da deficiência hormonal.

Segundo os autores, os resultados reforçam que a segurança da reposição de testosterona depende da indicação correta para o tratamento.


O que é a testosterona

  • A testosterona é um hormônio essencial para a saúde masculina e vai muito além da função sexual, participando da manutenção dos músculos, dos ossos, do metabolismo, da fertilidade e do funcionamento do cérebro e do sistema cardiovascular.
  • Quando os níveis estão abaixo do adequado, podem surgir sintomas como cansaço persistente, queda da libido, disfunção erétil e alterações de humor.
  • A deficiência do hormônio também pode afetar a concentração, a memória e favorecer a perda de massa óssea, aumentando o risco de osteoporose.
  • Em alguns casos, a testosterona baixa pode causar anemia leve e redução da massa muscular, comprometendo a disposição e a qualidade de vida.
  • Nos quadros mais avançados, também podem ocorrer diminuição dos pelos corporais e redução do volume dos testículos.

Quando a testosterona é indicada

A terapia com testosterona é recomendada para homens com hipogonadismo confirmado por sintomas e exames laboratoriais. Nesses casos, o objetivo é restabelecer níveis normais do hormônio.

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Nos últimos anos, porém, a testosterona também passou a ser usada por homens que não têm deficiência do hormônio, principalmente com o objetivo de ganhar massa muscular ou melhorar o desempenho físico.

“O início da terapia com testosterona fora do contexto do hipogonadismo clássico tem se tornado cada vez mais frequente, mas sua segurança cardiovascular a longo prazo permanecia incerta”, afirmam os autores no artigo.

O que o estudo encontrou

Os pesquisadores analisaram registros eletrônicos de saúde de 358.957 homens entre 30 e 75 anos que iniciaram terapia com testosterona em 123 instituições de saúde. Desse total, 35,4% não apresentavam evidências de hipogonadismo.

Para reduzir diferenças entre os grupos, os cientistas compararam homens com características semelhantes, como idade, peso, pressão arterial e doenças prévias. Ao final, foram acompanhados 113.554 pares de participantes por um período de até 10 anos.

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A análise mostrou que homens que utilizaram testosterona sem indicação apresentaram risco 51% maior de sofrer um evento cardiovascular grave em comparação com aqueles que tinham hipogonadismo. O risco de morte por qualquer causa foi 90% maior nesse grupo. Também houve aumento dos casos de AVC isquêmico, parada cardíaca e insuficiência cardíaca.

Segundo os pesquisadores, “a segurança cardiovascular da terapia com testosterona parece depender do contexto e ser menos favorável quando o tratamento é iniciado sem evidência de hipogonadismo”.

Prescrição deve ser baseada em diagnóstico

Os autores ressaltam que o estudo não avaliou homens que receberam testosterona para tratar hipogonadismo confirmado. Pelo contrário, os resultados indicam que o maior risco foi observado entre aqueles que iniciaram o tratamento sem um diagnóstico que justificasse a reposição.

Para a equipe, os dados reforçam a necessidade de que a prescrição seja baseada em critérios clínicos e laboratoriais e que pacientes em uso da terapia tenham acompanhamento dos fatores de risco cardiovasculares.

Embora o estudo não demonstre uma relação direta de causa e efeito, por se tratar de uma pesquisa observacional, os cientistas destacam que o grande número de participantes e o longo período de acompanhamento fortalecem as evidências de que o uso da testosterona fora das indicações médicas pode estar associado a um risco maior para a saúde cardiovascular.