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Saúde

Adultos que tiveram amigo imaginário sentem mais a presença de terceiros

Estudo identificou maior frequência da sensação entre adultos que tiveram amigos imaginários e investigou a relação com a percepção do corpo

30/10/2026 16:50, atualizado 30/10/2026 16:53
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Close-up de uma criança se divertindo com um jogo didático. Metrópoles

Ter um amigo imaginário na infância pode estar relacionado à frequência com que uma pessoa sente a presença de alguém por perto mesmo quando está sozinha na vida adulta. É o que sugere um estudo publicado em 26 de outubro na revista científica Consciousness and Cognition.

Para investigar essa possível relação, os pesquisadores analisaram as lembranças de 185 adultos recrutados por meio da Universidade de Economia de Izmir, na Turquia. Entre os participantes, 45 disseram se lembrar de ter tido um companheiro imaginário durante a infância. Nenhum relatou diagnóstico psiquiátrico ou neurológico.

Todos responderam a um questionário sobre a frequência com que sentiram outra presença, sem evidências sensoriais claras, durante o mês anterior à pesquisa.

A pontuação média foi de 25,51 entre os adultos que se lembravam de amigos imaginários. No grupo que não relatou essa experiência, a média foi de 20,07. A escala utilizada pelos pesquisadores variava de 15 a 75 pontos. Quanto maior a pontuação, mais frequentes eram os relatos de sentir outra presença.

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A diferença indica uma associação entre as duas experiências, mas não demonstra que ter um amigo imaginário na infância provoque essa sensação na vida adulta.

Onde ficavam os amigos imaginários

Os autores também perguntaram aos participantes que se lembravam de companheiros imaginários onde eles costumavam aparecer em relação ao próprio corpo.

As respostas mostraram que esses personagens eram lembrados principalmente à frente ou ao lado da pessoa. Das 114 estimativas de distância registradas, 76 colocavam o companheiro a menos de 70 centímetros do participante.

A região próxima ao corpo é chamada de espaço peripessoal. É a área que usamos para realizar ações como alcançar objetos, movimentar as mãos e interagir com outras pessoas.

A partir dessas informações, os autores propõem que a experiência com amigos imaginários pode ter relação com a maneira como o cérebro representa o corpo e o ambiente ao redor. A hipótese é que o personagem imaginário seja percebido como alguém que ocupa um lugar nesse espaço próximo.

O que o cérebro tem a ver com essa sensação

Experimentos anteriores com robôs ajudam a explicar como o cérebro pode interpretar a sensação de que alguém está por perto. Nesses testes, participantes movimentavam as mãos enquanto um robô tocava suas costas. Quando havia um pequeno atraso entre o movimento e o toque, algumas pessoas sentiam como se outra pessoa estivesse atrás delas.

Uma hipótese é que o cérebro tenha dificuldade para identificar a origem dos sinais do corpo e interprete sensações provocadas pelos próprios movimentos como se viessem de outra pessoa.

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Os pesquisadores também observaram uma diferença entre as experiências. Amigos imaginários eram lembrados principalmente à frente ou ao lado da criança, enquanto adultos que sentem uma presença costumam descrevê-la atrás ou ao lado do corpo. Para os autores, isso pode ter relação com o tipo de interação, já que um amigo imaginário participa de brincadeiras e conversas. Essa explicação, porém, ainda é uma hipótese.

Estudo não prova relação de causa e efeito

A pesquisa foi baseada nas lembranças dos adultos sobre a infância. Como os cientistas não acompanharam as crianças ao longo dos anos, não é possível afirmar que ter um amigo imaginário provoque a sensação de presença na vida adulta.

O estudo também teve limitações. A maioria dos participantes era mulher, todos foram recrutados por uma única universidade e os voluntários sabiam que a pesquisa tratava de amigos imaginários — o que pode ter influenciado as respostas.

Os resultados não são evidências da existência de fantasmas. O objetivo é investigar como o cérebro pode criar a sensação de que há alguém por perto, mesmo sem sinais que confirmem essa presença.

Para entender melhor essa relação, os pesquisadores sugerem acompanhar crianças ao longo do desenvolvimento e observar se a experiência com amigos imaginários na infância continua relacionada à sensação de presença na vida adulta.