Psicólogas listam quais são os 3 melhores hábitos para melhorar o foco

Especialistas apontam como treinar com sono, ambiente e menos notificações. Foco depende de saúde mental e controle executivo

atualizado

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Mulher meditando- Metrópoles
1 de 1 Mulher meditando- Metrópoles - Foto: Freepik

Manter o foco em meio a notificações, múltiplas abas abertas e prazos apertados se tornou um dos maiores desafios da vida contemporânea. A dificuldade de concentração não é apenas uma questão de disciplina: envolve biologia, emoção e organização do ambiente.

“O foco não é uma habilidade única, mas a integração de atenção seletiva, atenção sustentada e controle inibitório. É uma gestão ativa da energia mental”, explica a neuropsicóloga Fernanda Moreira.

Confira três hábitos com respaldo científico que podem fortalecer o foco de forma consistente.

1. Dormir melhor: a base biológica do foco

Pode parecer básico, mas o sono é o primeiro pilar da concentração. Segundo a psicóloga Brunete Gildin, de São Paulo, dormir mal compromete diretamente o córtex pré-frontal, área ligada ao planejamento, tomada de decisão e controle de impulsos.

Durante o sono profundo, o cérebro ativa o sistema glinfático, responsável por eliminar toxinas acumuladas ao longo do dia. “Sem essa ‘faxina’, a comunicação entre neurônios fica menos eficiente, surgem lapsos de atenção e aumenta a impulsividade”, afirma Fernanda.

A psicóloga Luísa Dias Lemos, do Instituto Mayer, complementa que a privação de sono também altera a regulação emocional, deixando a mente mais vulnerável a distrações. “O foco exige estabilidade interna. Um cérebro exausto entra em modo reativo”, ensina

Para ter um impacto prático, a dica das especialistas é manter horários regulares e priorizar entre sete e nove horas de sono por noite. O ajuste pode melhorar a memória de trabalho, velocidade de processamento e resistência à distração.

2. Reduzir notificações e organizar o ambiente

O segundo hábito é proteger o ambiente contra estímulos desnecessários. Estudos mostram que a simples presença do celular sobre a mesa já consome parte da capacidade cognitiva.

“Cada notificação é um sequestro da atenção. Mesmo quando não abrimos a mensagem, parte da memória de trabalho permanece ocupada”, explica Fernanda.

Ambientes desorganizados também competem pela atenção seletiva. O cérebro processa continuamente estímulos visuais, e um espaço caótico mantém o sistema de alerta ativado. O foco profundo exige sensação de segurança.

“Quando reduzimos interrupções de forma consistente, reeducamos o cérebro. A atenção volta a sustentar tarefas longas”, aponta Luísa.

A recomendação é silenciar notificações, deixar o celular fora do campo de visão e trabalhar em blocos sem interrupção para reduzir o chamado “custo de troca”, que faz o cérebro levar até 20 minutos para retomar o nível anterior de concentração.

3. Movimento e treino da atenção

Exercício físico regular e práticas de atenção plena (mindfulness) também aparecem entre as estratégias com maior evidência científica para manter o foco.

Atividades aeróbicas estimulam a liberação de BDNF, proteína associada à neuroplasticidade, além de neurotransmissores ligados à motivação e ao alerta. “Uma sessão de apenas 20 minutos pode gerar uma janela de foco nas horas seguintes”, conta Brunete.

Já o mindfulness funciona como treino direto da atenção. Não se trata de esvaziar a mente, mas de perceber quando ela se distrai e trazê-la de volta. Esse movimento fortalece o controle inibitório e a atenção sustentada.

“Sem movimento, descanso e equilíbrio emocional, o cérebro opera em modo reativo”, alerta a psicóloga Luísa.

Entre 10 e 15 minutos diários de respiração guiada ou meditação, aliados a exercícios físicos regulares, ajudam a fortalecer o “músculo” da atenção.

Mulher fazendo exercício- Metrópoles
Foco é menos distração e mais presença.

Foco não é só produtividade

As especialistas alertam que dificuldade persistente de foco pode indicar ansiedade, burnout ou TDAH, especialmente quando há prejuízo significativo na vida profissional ou pessoal.

Elas destacam que o sinal de alerta aparece quando a pessoa quer fazer, mas não consegue, e isso gera sofrimento. No fim, melhorar o foco não significa apenas produzir mais. Trata-se de recuperar presença e autonomia mental em um ambiente desenhado para distrair.

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