Especialista revela traços comuns de quem cresceu com pais rigorosos

Segundo a psicóloga Mariana Ramos, é muito importante reconhecer os padrões comportamentais para saber como lidar com eles

atualizado

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Yanka Romao/Arte Metrópoles
Relações familiares abaladas
1 de 1 Relações familiares abaladas - Foto: Yanka Romao/Arte Metrópoles

Crescer em um lar com pais rigorosos pode influenciar o comportamento do indivíduo. Segundo a psicóloga Mariana Ramos, quando a educação é marcada por alto controle, baixa validação emocional e punição frequente, é comum a criança desenvolver estratégias de adaptação que permanecem na vida adulta.

Padrões comportamentais mais frequentes

  • Perfeccionismo rígido: necessidade excessiva de acertar, autocrítica elevada ou baixa tolerância ao erro.
  • Hipervigilância e medo de avaliação: preocupação constante com julgamento, ansiedade de desempenho ou busca intensa por aprovação.
  • Submissão ou obediência excessiva: dificuldade de discordar, evitação de conflitos ou tendência a agradar.
  • Rigidez cognitiva e comportamental: pensamento tudo-ou-nada, dificuldade com mudanças ou baixa flexibilidade emocional.
  • Autossacrifício e negligência das próprias necessidades: colocar o outro sempre em primeiro lugar e culpar-se ao priorizar a si mesmo.

A criação muito rígida frequentemente produz uma autoestima condicional, ou seja, a pessoa só se sente válida quando performa bem”, afirma a professora de psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna.

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Como lidar

De acordo com a profissional, é muito importante reconhecer os padrões comportamentais para saber como lidar com eles. Segundo Mariana, a flexibilidade é o maior objetivo e pode ser alcançada através da psicoeducação.

“É preciso compreender que esses padrões foram, em algum momento, estratégias de sobrevivência. Eles fizeram sentido no passado. A metacognição, ou seja, a capacidade de pensar sobre os próprios pensamentos, aliada à análise diária dos comportamentos, ajuda a reduzir a culpa e a ampliar o insight”, orienta a psicóloga.

Também vale trabalhar as crenças que estão associadas a esses comportamentos. Nesse processo, a psicoterapia se apresenta como um recurso potente para acessar esse conteúdo, identificar o que levou a pessoa a agir dessa forma e compreender o que mantém esses padrões ativos ao longo do tempo.

“O psicólogo é um profissional qualificado para tratar a permanência desses padrões disfuncionais e repetitivos. Buscar esse espaço é fundamental para que eles possam ser ressignificados. No entanto, o que muitas vezes dificulta esse acesso são as próprias crenças em relação à psicoterapia”, explica Mariana Ramos.

Pessoas com autocobrança exacerbada tendem a idealizar o processo terapêutico e a buscar resultados perfeitos e imediatos. Quando essa expectativa não se concretiza, pode haver frustração, abandono do tratamento e, consequentemente, o reforço dos mesmos padrões que se deseja transformar.

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