Vizinha gritou “fogo” para ajudar nutricionista que fugiu de estupro
Jéssica Elen Soares da Silva foi surpreendida por criminoso dentro do próprio apartamento em Barueri, na região metropolitana de São Paulo
atualizado
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Uma vizinha da nutricionista que fugiu de uma tentativa de estupro disse que precisou gritar “fogo” para que outros moradores ajudassem a vítima. Jéssica Elen Soares da Silva estava dormindo quando Wellington de Oliveira Santos invadiu o condomínio em Barueri, na região metropolitana de São Paulo, entrou no apartamento da mulher e tentou estuprá-la. Após 15 minutos de luta corporal com o criminoso, ela conseguiu fugir.
A consultora Dini Perez publicou um vídeo nas redes sociais com relatos sobre o ocorrido. Segundo ela, Jéssica saiu correndo pelo prédio do corredor, batendo nas portas e pedindo ajuda, mas nenhum morador saiu.
“Ela gritava muito: ‘Socorro, esse homem quer me matar’. E ninguém saiu. Eu estava no banheiro. Só tive tempo de pegar um blazer para colocar por cima da roupa que eu estava dormindo. Abri a porta e me deparei com um homem sufocando uma mulher. Ele estava tentando matá-la. O tempo que eu tive foi só de tirar ele de cima dela. Depois eu gritei: ‘Fogo’. As pessoas começaram a aparecer porque acharam que o prédio estava pegando fogo“, afirmou a vizinha.
Segundo ela, demorou até que os moradores começassem a abrir as portas e ajudar a vítima. “A gente passou por momentos terríveis. Na hora, eu não fazia ideia do que estava acontecendo. Não fazia ideia de que aquele homem tinha tentado um estupro e tinha batido nela. E esse homem estava determinado. Como ele não conseguiu estuprar, queria matar. A primeira reação foi só acabar com aquilo, tirar aquilo, tirar aquele homem dali de cima dela. Mas depois, um pensamento não saía da minha cabeça: “Por que ninguém abriu a porta? Por que ninguém ajudou? E isso demorou muitos minutos.”
Imagens das câmeras de segurança (veja acima) mostram Wellington entrando no condomínio sem levantar suspeitas. O homem passa pela catraca, utiliza o elevador e caminha tranquilamente pelos corredores do prédio. Em seguida, ele aparece tentando abrir portas de apartamentos até conseguir acessar o imóvel onde estava Jéssica.
Cerca de 30 minutos depois, as gravações registram o momento em que a nutricionista surge correndo pelo corredor em busca de ajuda. Nas imagens, ela aparece batendo nas portas dos vizinhos e pedindo socorro após conseguir escapar do apartamento.
Wellington foi imobilizado por moradores do condomínio e preso pela Guarda Civil Metropolitana. O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri. A Polícia Civil apreendeu o celular do homem para identificar mensagens, contatos e outras informações que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias do crime e verificar se houve monitoramento da rotina da vítima ou participação de terceiros.
“Não sei lidar ainda”
Após o ocorrido, a nutricionista usou as redes sociais para falar sobre a dor psicológica e o trauma. “Ontem eu vivi uma situação extremamente difícil, bem traumática, dentro da minha casa. Um homem, que eu não sei quem é, entrou no meu condomínio, conseguiu acessar o meu apartamento e eu fui vítima de uma tentativa de estupro dentro de casa”, relatou.
“Eu preciso descansar agora, eu preciso me recuperar, botar minha mente no lugar, porque minha cabeça está bem complicada. Os hematomas vão sair, eu vou cuidar da minha cabeça, descansar um pouco agora. Amanhã vai ser um novo dia, eu não vou mais morar lá, por questões de segurança mesmo. Orem para minha cabeça ficar bem, porque eu não sei lidar com isso ainda, mas vai dar tudo certo”, concluiu Jéssica.
Ela contou que estava dormindo quando o homem invadiu o apartamento em Barueri. Quando percebeu o criminoso, ela gritou e tentou se defender. “Ele fez sinal um gesto para eu calar a boca, menção de que estava armado e já veio para cima, me jogou na cama e subiu em cima de mim. Ele falava: ‘Eu já te acompanho faz tempo, é fita dada’.”
A advogada da vítima, Silvana Campos, afirmou que acompanha o caso para garantir a responsabilização do suspeito pelos crimes investigados. Segundo ela, as circunstâncias da invasão também levantam questionamentos sobre a segurança do condomínio.
Para a defesa, houve falhas desde o momento em que Wellington conseguiu acessar as dependências do residencial até a entrada no apartamento da nutricionista. A advogada destaca ainda que, mesmo após os pedidos de socorro da vítima, os moradores foram os responsáveis por acionar as autoridades e conter o agressor até a chegada da Guarda Civil Municipal.
Estuprador responsabiliza condomínio e implora para não ser preso
Wellington alegou que invadiu o apartamento da vítima na Grande São Paulo porque estava bêbado e não tinha dinheiro para pegar um ônibus. A nutricionista Jéssica Elen Soares da Silva conseguiu reagir, entrou em luta corporal com o homem e fugiu.
Seu histórico criminal inclui condenação, em 2005, de 11 anos e 4 meses por estupro, roubo, violação de domicílio e constrangimento ilegal.
O Metrópoles obteve acesso à audiência de custódia de Wellington (veja acima). Ao juiz, ele responsabilizou a segurança do edifício, disse que não sabe usar elevador, afirmou que cuida do pai e implorou para não ser preso.
“Eu estava simplesmente embriagado. Entrei naquele negócio lá, não sei se era um prédio, se era um motel, não sei o que era. Mas eu não tinha intenção nenhuma, não tinha ideia nenhuma na mente. Simplesmente estava subindo a pé, porque o meu dinheiro tinha acabado; não tinha como pegar um ônibus ou um carro de aplicativo. Como que uma pessoa consegue entrar num estabelecimento sem ninguém te brecar, sem ninguém falar nada com você?”, alegou.
Após o juiz comunicar a manutenção da prisão, Wellington implorou para não ficar detido e pediu um “voto de confiança”.
“Não faz isso comigo, não, doutor. Eu cuido do meu pai de 74 anos. Não sou essa periculosidade toda. Por favor. Que o senhor possa me ajudar, que o senhor possa me dar uma confiança, doutor. Meu pai depende de mim. Eu imploro a você.”
Wellington de Oliveira Santos já possuía uma condenação definitiva. De acordo com apuração do Metrópoles, ele foi sentenciado a 11 anos e 4 meses de prisão por crimes cometidos em 2005, incluindo estupro, roubo, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Apesar da condenação, ele estava em livramento condicional desde 2021.
A ficha criminal do investigado também inclui um inquérito por violência doméstica registrado em 2025. Para a Justiça, o histórico de reincidência foi um dos fatores que justificaram a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A reportagem não localizou o contato da defesa de Wellington. O espaço segue aberto para manifestações.












