“Fita dada”: homem já monitorava nutricionista atacada em apartamento

Wellington de Oliveira Santos foi preso após tentar estuprar nutricionista em Barueri. Ele já havia sido condenado pelo mesmo crime

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Imagem colorida mostra mulher que fugiu de estupro em São Paulo. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra mulher que fugiu de estupro em São Paulo. Metrópoles - Foto: Reprodução

Preso após tentar invadir o apartamento de uma nutricionista e tentar estuprá-la, o ajudante geral Wellington de Oliveira Santos, 36, disse que já acompanhava a vítima. Jéssica Elen Soares da Silva estava dormindo no momento e acordou quando o homem entrou no imóvel em Barueri, Região Metropolitana de São Paulo. Após minutos lutando contra o criminoso, ela conseguiu fugir.

“Ele desceu as escadas com excesso de precaução para não fazer barulho. Quando abaixou a cabeça, fingi que estava dormindo, mas vi que não era nenhum conhecido. Ele continuou descendo devagar. Eu levantei da cama, comecei a gritar e fui para cima dele. Ele fez sinal um gesto para eu calar a boca, menção de que estava armado e já veio para cima, me jogou na cama e subiu em cima de mim. Ele falava: ‘Eu já te acompanho faz tempo, é fita dada’.”

Imagens das câmeras de segurança (veja acima) mostram Wellington entrando no condomínio sem levantar suspeitas. O homem passa pela catraca, utiliza o elevador e caminha tranquilamente pelos corredores do prédio. Em seguida, ele aparece tentando abrir portas de apartamentos até conseguir acessar o imóvel onde estava Jéssica.

Cerca de 30 minutos depois, as gravações registram o momento em que a nutricionista surge correndo pelo corredor em busca de ajuda. Nas imagens, ela aparece batendo nas portas dos vizinhos e pedindo socorro após conseguir escapar do apartamento.

Wellington foi imobilizado por moradores do condomínio e preso pela Guarda Civil Metropolitana. O caso foi registrado como tentativa de estupro, lesão corporal e violação de domicílio na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barueri. A Polícia Civil apreendeu o celular do homem para identificar mensagens, contatos e outras informações que possam ajudar a esclarecer as circunstâncias do crime e verificar se houve monitoramento da rotina da vítima ou participação de terceiros.

“Não sei lidar ainda”

Após o ocorrido, a nutricionista usou as redes sociais para falar sobre a dor psicológica e o trauma. “Ontem eu vivi uma situação extremamente difícil, bem traumática, dentro da minha casa. Um homem, que eu não sei quem é, entrou no meu condomínio, conseguiu acessar o meu apartamento e eu fui vítima de uma tentativa de estupro dentro de casa”, relatou.

“Eu preciso descansar agora, eu preciso me recuperar, botar minha mente no lugar, porque minha cabeça está bem complicada. Os hematomas vão sair, eu vou cuidar da minha cabeça, descansar um pouco agora. Amanhã vai ser um novo dia, eu não vou mais morar lá, por questões de segurança mesmo. Orem para minha cabeça ficar bem, porque eu não sei lidar com isso ainda, mas vai dar tudo certo”, concluiu Jéssica.

Ela contou que estava dormindo quando o homem invadiu o apartamento em Barueri. Ela conseguiu se defender em cerca de 30 minutos de luta corporal com o homem. Durante o confronto, a mulher machucou a perna e cortou o dedo. Ela também contou que tomou um soco no olho e que está usando um óleo corporal, pois não consegue encostar no próprio corpo.

A advogada da vítima, Silvana Campos, afirmou que acompanha o caso para garantir a responsabilização do suspeito pelos crimes investigados. Segundo ela, as circunstâncias da invasão também levantam questionamentos sobre a segurança do condomínio.

Para a defesa, houve falhas desde o momento em que Wellington conseguiu acessar as dependências do residencial até a entrada no apartamento da nutricionista. A advogada destaca ainda que, mesmo após os pedidos de socorro da vítima, os moradores foram os responsáveis por acionar as autoridades e conter o agressor até a chegada da Guarda Civil Municipal.

Estuprador responsabiliza condomínio e implora para não ser preso

Wellington alegou que invadiu o apartamento da vítima na Grande São Paulo porque estava bêbado e não tinha dinheiro para pegar um ônibus. A nutricionista Jéssica Elen Soares da Silva conseguiu reagir, entrou em luta corporal com o homem e fugiu.

Seu histórico criminal inclui condenação, em 2005, de 11 anos e 4 meses por estupro, roubo, violação de domicílio e constrangimento ilegal.

Metrópoles obteve acesso à audiência de custódia de Wellington (veja acima). Ao juiz, ele responsabilizou a segurança do edifício, disse que não sabe usar elevador, afirmou que cuida do pai e implorou para não ser preso.

“Eu estava simplesmente embriagado. Entrei naquele negócio lá, não sei se era um prédio, se era um motel, não sei o que era. Mas eu não tinha intenção nenhuma, não tinha ideia nenhuma na mente. Simplesmente estava subindo a pé, porque o meu dinheiro tinha acabado; não tinha como pegar um ônibus ou um carro de aplicativo. Como que uma pessoa consegue entrar num estabelecimento sem ninguém te brecar, sem ninguém falar nada com você?”, alegou.

Após o juiz comunicar a manutenção da prisão, Wellington implorou para não ficar detido e pediu um “voto de confiança”.

“Não faz isso comigo, não, doutor. Eu cuido do meu pai de 74 anos. Não sou essa periculosidade toda. Por favor. Que o senhor possa me ajudar, que o senhor possa me dar uma confiança, doutor. Meu pai depende de mim. Eu imploro a você.”

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Preso em flagrante após invadir o apartamento da vítima, o homem já havia sido condenado a mais de 11 anos de prisão por estupro em 2015
Preso em flagrante após invadir o apartamento da vítima, o homem já havia sido condenado a mais de 11 anos de prisão por estupro em 2015
Preso em flagrante após invadir o apartamento da vítima, o homem já havia sido condenado a mais de 11 anos de prisão por estupro em 2015
Preso em flagrante após invadir o apartamento da vítima, o homem já havia sido condenado a mais de 11 anos de prisão por estupro em 2015
Preso em flagrante após invadir o apartamento da vítima, o homem já havia sido condenado a mais de 11 anos de prisão por estupro em 2015
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Imagem cedida ao Metrópoles

Wellington de Oliveira Santos já possuía uma condenação definitiva. De acordo com apuração do Metrópoles, ele foi sentenciado a 11 anos e 4 meses de prisão por crimes cometidos em 2005, incluindo estupro, roubo, violação de domicílio e constrangimento ilegal. Apesar da condenação, ele estava em livramento condicional desde 2021.

A ficha criminal do investigado também inclui um inquérito por violência doméstica registrado em 2025. Para a Justiça, o histórico de reincidência foi um dos fatores que justificaram a conversão da prisão em flagrante em preventiva. A reportagem não localizou o contato da defesa de Wellington. O espaço segue aberto para manifestações.

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