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São Paulo

Violência contra a mulher cresce em dias de jogos de futebol

Estudo divulgado nesta terça-feira (11/8) mostra que agressões contra mulheres crescem 28,8% e ameaças 27,8% em dias de jogos de futebol

11/08/2026 15:31
MPMG/Divulgação
mulher agressão violência vítima

A segunda edição do estudo “Futebol e Violência contra a Mulher” volta a mostrar que agressões e ameaças aumentam nos dias de jogos. Segundo o levantamento conduzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira (11/8), o número de registros de ameaças contra pessoas do sexo feminino cresce 27,8% quando há partidas, enquanto as lesões corporais dolosas (intencionais) aumentam 28,8%.

O estudo foi produzido cobrindo o período de 2023 a 2025, levando em conta partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, Copa Libertadores da América e Copa Sul-Americana, e foram utilizados dados de cinco capitais (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo).

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Houve um aumento nas ocorrências em comparação com a primeira edição do estudo, que compreendia os períodos de 2015 a 2018. Naquela ocasião, as ameaças contra mulheres aumentavam 23,7% em dias com jogos, enquanto as lesões corporais cresciam 20,8%.

Pesquisadora do FBSP, Juliana Brandão afirma que o futebol não gera, mas catalisa a violência contra a mulher.

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“O ambiente do futebol é de naturalização da masculinidade que opera pela violência. Pelo lugar que esse homem ocupa, ele tem salvo-conduto”, diz.

O ex-jogador Raí esteve presente na apresentação e disse que, atualmente, identifica comportamentos como sendo resultado da cultura do machismo. Também ressaltou o impacto no esporte que praticou por décadas.

“Todo mundo diz que o futebol é um reflexo da sociedade, quando se vê racismo, violência, preconceitos. No caso das questões de gênero, é um reflexo da sociedade piorado”, afirmou o ex-jogador.


Como é o aumento da violência contra mulheres nos dias com jogos

  • 27,4% os registros de ameaça
  • 28,8% registros de lesão corporal por violência doméstica
  • 44% registros de ameaça e lesão corporal entre jovens de 15 a 29 anos
  • 35,1% os registros de lesão nas residências
  • 26,8% registros de ameaça nas residências
  • entre mulheres negras, 23,2% os registros de lesão e 14,6% os de ameaça
  • entre mulheres brancas, 30,9% os registros de lesão e 36,2% os de ameaça

“Nosso problema não é acabar com os homens, mas salvar as mulheres”, disse Luiza Helena Trajano, presidente do conselho da Magalu, apoiadora do projeto.

A violência contra as mulheres é tão presente no dia a dia que a apresentação dos dados da pesquisa aconteceu na Rua Eça de Queiróz, na zona sul paulistana, a menos de um quilômetro do local onde foi encontrado o corpo de Isabella Fonseca Barbosa, de 32 anos, morta pelo namorado João Pedro da Silva Barroso, de 28 anos, na noite dessa segunda-feira (10/8).

Recomendações para enfrentar a violência contra mulheres no contexto do futebol

  • Denúncia dentro dos estádios: Postos permanentes de acolhimento e registro em todos os setores, sem deslocamento a unidades externas
  • Atuação institucional articulada: Poder público, clubes, federações e torcidas em ações permanentes sobre violência e masculinidades
  • Monitorar a violência doméstica: Atenção à recorrência das denúncias e ao efetivo cumprimento das medidas protetivas de urgência
  • Educação sobre masculinidades: Encontros de médio e longo prazo para desconstruir padrões de dominação de gênero
  • Prevenção – Álcool e apostas (bets): Estratégias que enfrentem o consumo abusivo de álcool e as bets como catalisadores da violência
  • Cultura torcedora inclusiva: Políticas culturais que valorizem a torcida, em vez de abordagens apenas proibitivas
  • Desenvolvimento socioemocional: Parcerias com iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional de jovens torcedores
  • Formação de atletas: Programas contínuos de prevenção da violência e de responsabilidade social no esporte
  • Protocolos internos nos clubes: Tratamento de casos envolvendo atletas, com medidas de responsabilização e acompanhamento
  • Responsabilização nas torcidas: Formação continuada e afastamento de membros condenados por violência doméstica