“Treinamento básico”, diz técnico de curso feito por sócio de academia

Treinamento feito pelo sócio Celso Bertolo Cruz teve carga horária de 4 horas, foi de caráter teórico e prático e ocorreu em agosto de 2023

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Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles
1 de 1 Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu após uma aula de natação na academia C4 Gym no sábado (7/2). Manobrista fez a mistura de cloro, que causou intoxicação - Metrópoles - Foto: Reprodução

O sócio da academia C4 Gym, onde uma mulher morreu e outras seis pessoas foram internadas após utilizarem a piscina, Celso Bertolo Cruz apresentou um certificado de conclusão de curso de tratamento de água de piscinas, teórico e prático, com carga horária de 4 horas, realizado em agosto de 2023.

O documento, obtido pelo Metrópoles, atesta que Celso concluiu o curso presencial em 2 de agosto de 2023, ministrado por um técnico em piscinas. A reportagem entrou em contato com o responsável pela aplicação do curso, José Américo, que detalhou como o treinamento foi realizado.

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Dono da academia apagou mensagens trocadas com o manobrista responsável pela manutenção da piscina. Uma pessoa morreu e 6 foram internadas
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José Américo é técnico em piscinas e oferece cursos básicos e introdutórios voltados a pessoas que desejam contratar uma empresa especializada para manutenção e querem ter conhecimento mínimo para fiscalizar se o serviço está sendo executado corretamente.

O treinamento, segundo José, foi realizado exclusivamente com Celso, sem a participação de qualquer outro funcionário da C4 Gym, academia, localizada na zona leste de São Paulo. O técnico afirmou ainda que, à época em que ministrou o curso a Celso Bertolo Cruz, Severino José da Silva, o manobrista responsável pelos cuidados com a piscina, ainda não era funcionários da rede.

“É um treinamento básico, não é uma capacitação técnica para assumir o tratamento da piscina”, disse. José afirmou ainda que deixou claro a Celso o alcance limitado do curso e o orientou a contratar uma empresa especializada para realizar os cuidados e a manutenção da piscina.

À reportagem, o técnico afirmou que alertou Celso sobre possíveis riscos. “Eu avisei que poderia colocar pessoas em risco. Não precisava me contratar, mas precisava ter um profissional qualificado”, relatou.

“Eu levo até dois anos para formar um funcionário comigo. Quatro horas não tornam ninguém técnico”. O técnico reforçou que o curso não substitui acompanhamento especializado. “Quem tem que fazer a manutenção é uma empresa qualificada”, complementou.


Morte após aula de natação

    • No último sábado (7/2), uma aluna morreu e ao menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave após nadarem na piscina da C4 Gym, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.
    • Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
    • Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também sentiu mal-estar na piscina.
    • Eles comunicaram o professor responsável e, depois da aula, foram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
    • No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
    • O fato foi registrado em boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
    • Há ainda o registro de ao menos outra pessoa internada em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
    • O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde apresentou dificuldade de respirar.
    • Aluna de 29 anos foi internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.

Sócio trocava mensagens sobre produtos químicos

Uma troca de mensagens entre o sócio da C4 Gym, Celso Bertolo Cruz, e o manobrista Severino José da Silva mostra que o funcionário recebia orientações diretas sobre a aplicação de produtos químicos na piscina.

As conversas, obtidas pelo Metrópoles, registram respostas frequentes de Severino com “ok” após o envio das instruções. Parte do conteúdo, porém, foi apagada por Celso e não é possível visualizar integralmente as ordens enviadas. Nos trechos que permaneceram, aparecem comandos como “Joga mais 6” e “Joga 2”, sem especificação do produto ou da medida mencionada.

Em depoimento à Polícia Civil, Celso afirmou que se apresentou como responsável pela manutenção da piscina e confirmou que orientava o funcionário sobre as dosagens. Ele declarou que apagou as mensagens ao saber da morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, dizendo que ficou “desesperado” e que excluiu o conteúdo “sem pensar”.

Apesar de terem sido indiciados, Celso Bertolo Cruz e os outros dois sócios da C4 Gym, Cesar Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração continuam em liberdade. A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão dos sócios da academia em decisão proferida nesta sexta-feira (13/2). Eles seguem sendo investigados pelos casos de intoxicação registrados na piscina do estabelecimento.

O que dizem os advogados do sócio da academia

Os advogados  Rafael Serra Oliveira e Caio Rimkus, que representam Celso Bertolo Cruz, em nota, informaram que receberam “com satisfação a decisão judicial que garante aos nossos clientes o direito de aguardar a apuração dos fatos em liberdade, sendo certo que cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela Justiça. Todas as demais questões relativas ao processo serão respondidas nos autos.”

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