Intoxicação em piscina: Justiça nega prisão de sócios de academia
Juíza afirmou que não há razões para prender os sócios e determinou medidas cautelares. Uma pessoa morreu após intoxicação durante aula
atualizado
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A Justiça de São Paulo negou a prisão dos sócios da academia C4 Gym, na zona leste da capital, em decisão nesta sexta-feira (13/2). Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração são investigados por casos de intoxicação na piscina da academia.
A professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após aula de natação no local. Além dela, outras seis pessoas precisaram de atendimento médico devido à intoxicação por cloro.
Na decisão que rejeitou a prisão temporária, a juíza Paula Marie Konno afirmou que não há razão para que os sócios sejam detidos. A magistrada destacou que os investigados se apresentaram à polícia, prestaram esclarecimentos e não representam risco para a investigação. Ela também ressaltou que a C4 Gym encontra-se lacrada e já foi periciada.
A juíza, no entanto, impôs medidas cautelares alternativas à prisão. Os sócios deve se apresentar mensalmente à Justiça, além de informar e justificar atividades. O trio também está proibido de se aproximar do endereço da academia, de manter contato com testemunhas e de se ausentar da Comarca por mais de sete dias sem autorização.
“Recebemos com satisfação a decisão judicial que garante aos nossos clientes o direito de aguardar a apuração dos fatos em liberdade, sendo certo que cumprirão fielmente todas as cautelares alternativas impostas pela justiça”, disse a defesa dos sócios.
“Reiteramos que eles permanecem inteiramente à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos, em qualquer momento, confiando que a investigação prosseguirá de forma técnica, isenta e em estrita observância às garantias constitucionais”, conclui a nota.
Sócios indiciados por homicídio
Os três proprietários da academia C4 Gym, foram indiciados por homicídio por dolo eventual após a intoxicação de alunos na piscina do estabelecimento.
Ao Metrópoles o delegado titular do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), Alexandre Bento, informou que Cesar Bertolo Cruz, Celso Bertolo Cruz e Cezar Miquelof Terração compareceram de forma espontânea à delegacia, na quarta-feira (11/2), acompanhados de advogados, e prestaram depoimento ao delegado responsável pelo caso.
De acordo com o delegado, há indícios de que o manobrista Severino José da Silva, de 43 anos, recebia orientações diretas dos proprietários, por meio de mensagens via WhatsApp, sobre a aplicação de produtos químicos na piscina, mesmo sem possuir qualificação técnica para o procedimento.
Segundo o delegado, as especificações técnicas apontam que “a carga de cloro que usavam em um dia era para uma semana”, como forma de maquiar a água e a piscina nunca fosse fechada.
Morte após aula de natação
- No último sábado (7/2), uma aluna morreu e ao menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave após nadarem na piscina da C4 Gym, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.
- Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
- Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também sentiu mal-estar na piscina.
- Eles comunicaram o professor responsável e, depois da aula, foram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
- No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
- O fato foi registrado em boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
- Há ainda o registro de ao menos outra pessoa internada em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
- O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde apresentou dificuldade de respirar.
- Aluna de 29 anos foi internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.
“Impossível de respirar”
Um dos alunos que estava na aula de natação relatou ao Metrópoles o que aconteceu enquanto estavam na piscina. O advogado Eduardo Esteves Rossini, de 37 anos, disse que funcionários da academia C4 Gym fizeram uma mistura de cloro em um balde e deixaram ao lado da piscina.
“Jogaram alguma coisa que deu reação química. Sentimos queimar os olhos, nariz, garganta e pulmões. Ficou impossível de respirar”, afirmou.
Segundo Rossini, quem estava mais próximo ao balde sofreu mais — a mulher que morreu, o marido dela e o adolescente, que foram internados em estado grave. “Eles inalaram mais”, disse.
O advogado procurou atendimento médico na ocasião e precisou retornar ao hospital, nessa segunda-feira (9/2), devido a uma piora no quadro de saúde. “Acordei com a garganta muito inflamada e expelindo um pouco de sangue. Estou tomando algumas medicações e fazendo exames”, relatou.
Vídeo mostra desespero de alunos
Câmeras de segurança flagraram o momento em que alunos e instrutores passam mal durante a aula de natação na piscina da academia. Nas gravações (veja abaixo), é possível ver as vítimas sendo retiradas da água com dificuldades de movimento e respiração.
Outra câmera filmou Juliana sendo levada para a recepção da academia, após ser retirada da piscina. Ela senta no chão, coloca a mão no peito, faz sinal como se estivesse tonta e parece tossir.
Em nota, a direção da Academia C4 Gym destacou que “lamenta profundamente o ocorrido em sua unidade” e que “está colaborando integralmente com as autoridades competentes”.








