“Joga mais 6”: veja instruções dadas antes de intoxicação em academia

Dono da academia apagou mensagens trocadas com o manobrista responsável pela manutenção da piscina. Uma pessoa morreu e 6 foram internadas

atualizado

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Dono da academia apagou mensagens trocadas com o manobrista responsável pela manutenção da piscina. Uma mulher morreu e 6 foram internadas - Metrópoles
1 de 1 Dono da academia apagou mensagens trocadas com o manobrista responsável pela manutenção da piscina. Uma mulher morreu e 6 foram internadas - Metrópoles - Foto: Divulgação / Policia Civil

Uma troca de mensagens entre um dos proprietários da academia C4 Gym, onde uma mulher morreu e outras seis pessoas foram internadas após utilizarem a piscina, e o manobrista Severino José da Silva, indica que o funcionário recebia orientações diretas sobre a aplicação de produtos químicos no local.

As conversas, obtidas pelo Metrópoles, mostram respostas frequentes de Severino com “ok” após receber instruções. No entanto, não é possível visualizar o conteúdo completo das ordens, já que o proprietário Celso Bertolo Cruz apagou as mensagens que enviou. Em alguns trechos que não foram excluídos, aparecem comandos como “Joga mais 6” e “Joga 2”, sem detalhamento sobre a que produto ou medida se referiam.

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Em depoimento à polícia, Celso se apresentou como responsável pela manutenção da piscina e confirmou que orientava o funcionário sobre as dosagens. Ele afirmou que apagou as mensagens ao saber da morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, dizendo que ficou “desesperado” e que excluiu o conteúdo “sem pensar”.

Celso é um dos três proprietários indiciados por homicídio com dolo eventual após a intoxicação de alunos na piscina da academia. Além da morte da professora, outras seis pessoas passaram mal e precisaram de atendimento médico.

Manobrista fazia manutenção da piscina

De acordo com a Polícia Civil, a manutenção da piscina era feita por Severino, que preparou uma mistura de cloro em um balde e a deixou ao lado da piscina enquanto aguardava o término da aula. Veja nas imagens abaixo:

A principal suspeita é de que uma reação química tenha provocado a contaminação do ar no ambiente. A informação foi confirmada pelo delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), responsável pelo caso.

A academia foi interditada preventivamente pela Prefeitura de São Paulo. Conforme a Subprefeitura de Vila Prudente, foram constatadas irregularidades, como a existência de dois CNPJs vinculados ao mesmo endereço, ausência de Auto de Licença de Funcionamento e condições precárias de segurança.


Morte após aula de natação

  • No último sábado (7/2), uma aluna morreu e ao menos outras seis pessoas foram internadas em estado grave após nadarem na piscina da C4 Gym, no Parque São Lucas, na zona leste de São Paulo.
  • Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, sofreu uma parada cardíaca após a aula de natação.
  • Ela estava acompanhada do marido, Vinicius de Oliveira, de 31 anos, que também sentiu mal-estar na piscina.
  • Eles comunicaram o professor responsável e, depois da aula, foram, por conta própria, ao Hospital Santa Helena, de Santo André, no ABC paulista.
  • No hospital, Juliana não resistiu. O marido dela foi internado em estado grave.
  • O fato foi registrado em boletim de ocorrência no 6º Distrito Policial de Santo André.
  • Há ainda o registro de ao menos outra pessoa internada em estado grave no Hospital Vila Alpina, na zona leste de São Paulo.
  • O menor de idade foi levado pelo pai ao hospital e ele também nadou na piscina da academia, onde apresentou dificuldade de respirar.
  • Aluna de 29 anos foi internada na UTI após sentir náuseas, vômitos e diarreia.

MPSP investiga academias da rede após intoxicações

A morte da professora Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, após uma aula de natação em uma unidade da C4 Gym, na zona leste de São Paulo, levou o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) a instaurar inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no funcionamento das academias da rede na capital.

A investigação é conduzida pela Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital e tem como foco a eventual ausência do Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento obrigatório que atesta as condições de segurança do imóvel, além de outras licenças exigidas para funcionamento. A empresa precisa apresentar uma lista completa das unidades em operação no município, com respectivos endereços, identificação dos franqueados e cópias dos contratos de franquia, além de esclarecimentos sobre possíveis irregularidades.

Também foram expedidos ofícios à Secretaria Municipal de Governo, à Vigilância Sanitária e ao Corpo de Bombeiros, solicitando vistorias em todas as unidades da rede em São Paulo. Os órgãos deverão encaminhar relatórios, comprovação de licenças e informações sobre AVCBs emitidos, além de indicar eventuais medidas administrativas adotadas, como interdições, caso sejam constatados riscos à segurança.

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