Tarcísio planeja “DHPP da Mulher” para combater alta de feminicídios
Governador disse que o tema ganhará um departamento exclusivo na Polícia Civil. Estado tem recorde de casos de feminicídios
atualizado
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Em meio ao recorde de casos de feminicídios em São Paulo, o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) estuda criar um departamento novo na Polícia Civil do estado voltado especificamente ao enfrentamento do problema. A ideia foi anunciada pelo governador em coletiva de imprensa nesta terça-feira (24/3).
“Em todos os indicadores criminais, nós tivemos queda, exceto feminicídio. A gente vai perseguir a queda desse indicador. É um desafio enorme. Vamos enfrentar criando mais um departamento na Polícia Civil, exclusivo para isso”, disse Tarcísio, nesta terça.
Os departamentos da Polícia são como setores especializados em um tipo de crime. Entre os mais conhecidos estão o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga, entre outros, mortes cometidas por policiais; e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que investiga quadrilhas que atuam com roubo a banco e roubo de carros, por exemplo.
O departamento que cuidaria dos casos de feminicídios também ampliaria o número de mulheres com assento no Conselho da Polícia Civil, segundo o governo.
O estado de São Paulo vive um recorde de feminicídios. Em 2025, foram 266 casos, um aumento de cerca de 8% em relação ao ano anterior, quando 246 mulheres foram assassinadas. Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostrou que entre 2021 e 2025 houve um crescimento de 96% no número de vítimas de feminicídio no estado.
Casos como o da jovem Tainara Souza Santos, de 31 anos, que morreu após ser atropelada e arrastada pela Marginal Tietê, e o da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, assassinada, segundo a investigação da Polícia Civil, pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, seu marido, causaram comoção nacional e geraram críticas à gestão Tarcísio.
Em dezembro de 2025, um ato contra os feminicídios levou 9,2 mil pessoas à Avenida Paulista, no centro de São Paulo, com cobranças por mais segurança às mulheres. O assassinato de Gisele, em fevereiro, atingiu diretamente o governo, que viu um caso de feminicídio envolver dois membros da Polícia Militar.
Mais de um mês depois da morte da PM Gisele, Tarcísio tocou no assunto pela primeira vez nesta terça, ao ser questionado pelo Metrópoles em uma agenda onde anunciava investimentos para as polícias do estado.
“A melhor resposta que a gente pode dar para o caso da PM Gisele, que a gente lamenta muito, como a gente lamenta cada feminicídio, é a punição dura do responsável. O policial que cometeu o feminicídio está preso, vai ser apresentado à Justiça, vai ser julgado e a gente espera que ele seja condenado com todo o rigor da lei, que é assim que a gente vai começar a combater essa sensação de impunidade”, acrescentou.
A oposição tem criticado a falta de empenho do governo para lidar com o tema, que deve aparecer na campanha deste ano. Tarcísio tem fugido das cobranças dizendo que o problema atinge todo o país.
“Essa chaga não é só de São Paulo, é uma chaga nacional e São Paulo está tomando todas as medidas, investindo em tecnologia para que a gente possa ter o melhor resultado possível”, disse nesta quinta.
