
Tarcísio defende Sabesp e Haddad reage: vendida em "mesa de amigos"
Tarcísio de Freitas defende venda da Sabesp e Fernando Haddad contesta legado de governador ao dizer que foi vendida em "mesa de amigos"

A privatização da Sabesp voltou a ser tema de divergência, nesta segunda-feira (15/6), entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT), durante o fórum “Rumos do Brasil”, no Teatro Santos Augusta, da revista Veja, em São Paulo.
Dessa vez, o petista elevou o tom, momentos depois de o chefe do Executivo estadual dizer que há “muita ideologia nesse debate“, ao ser questionado sobre os motivos que fariam com que o tema não tenha apelo eleitoral.
“Ás vezes, tem muita ideologia nesse debate. Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam”, disse Tarcísio, o primeiro convidado na roda de conversa.
Na sequência, o pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT contestou, como fez na semana passada, o processo de venda da companhia, assim como repetiu que os contratos de concessão ferroviária sob a gestão de Tarcísio no Ministério dos Transportes tiveram que ser refeitos.
“Depois de vender [a Sabesp] para um só dos interessados, que obviamente ofereceu o preço que lhe convinha, porque não tinha concorrente, ainda vendeu pelo preço do primeiro tranche para amigos, para pessoas escolhidas numa mesa, com critérios absolutamente opacos, sem transparência”, disse o petista.
Durante sua fala, o governador afirmou que São Paulo está “dando uma demonstração de pragmatismo de como trabalhar com o setor privado e, por isso, as coisas estão dando certo aqui no nosso estado”. Segundo ele, “o pessoal leva para o lado da política, [mas] a gente foca em resultado. Havia necessidade de cumprir as metas do marco do saneamento”, defendeu.
O ex-prefeito de São Paulo questionou novamente o sigilo em documentos que poderiam explicar a razão de estar gastando R$ 3,7 bilhões adicionais para que a concessionária Linha Uni entregue a Linha 6 – Laranja do Metrô com um ano de atraso, conforme revelado pela coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles.
“Aí fala: ‘Ah, nós estamos entregando o metrô, a linha 6’. Por que nós pagamos R$ 3,7 bilhões a mais do que previu o contrato? Para antecipar a entrega de uma obra que foi contratada lá atrás, pelos tucanos, antes da eleição? Para mostrar que tirou alguma coisa do papel? E aí, você fala: ‘Deixa eu ver o contrato do aditivo de 3,7 bi’. Não, não pode [ver]. Está sob sigilo de cem anos. O que está acontecendo com a gente, isso é ideologia ou é aritmética?”, rebateu.

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