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São Paulo

Suspeito morto pela Rota forjou documentos para ocultar passado de crimes

Morto durante buscas pelo atirador do tenente Pimentel, suspeito passou a usar outra identidade após deixar o sistema prisional

15/07/2026 02:15
Suspeito morto pela Rota forjou documentos para ocultar passado de crimes
Retrato de homem branco, de camisa polo, de cabelos curtos e sem barba - Metrópoles

Elenilson Francisco da Silva, conhecido como Galego (imagem em destaque), acumulou uma ficha de antecedentes criminais de 12 páginas antes de passar a usar outro nome e novos documentos pessoais. O histórico incluía registros relacionados a homicídios, roubos, porte de arma, sequestro e motim em presídio.

Galego é uma das sete pessoas mortas, até o momento, por policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) durante buscas por supostos envolvidos no atentado contra o tenente Ronickson Pimentel dos Santos. Integrante do mesmo batalhão de choque, o oficial foi baleado na nuca, no último dia 27, e segue internado em estado grave, porém estável.

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Suspeito morto pela Rota forjou documentos para ocultar passado de crimes - imagem 2
Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel
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Golias durante fuga, acompanhando da esposa e duas filhas, além de um homem
Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
Viatura da Rota da PM de São Paulo
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Viatura da Rota da PM de São Paulo

Divulgação/ Francisco Cepeda / Governo do Estado de SP
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Reprodução/Redes Sociais/PMSP
Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel
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Ronickson Pimentel, tenente da Rota baleado na cabeça, e a esposa, Cintia Pimentel

Reprodução/ Instagram
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Reprodução/SSP
Golias durante fuga, acompanhando da esposa e duas filhas, além de um homem
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Golias durante fuga, acompanhando da esposa e duas filhas, além de um homem

Reprodução/SSP
Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel
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Ronickson Pimentel dos Santos, tenente da Rota baleado. Irmão de Eloá Pimentel

Polícia Militar/Reprodução
Policial militar de SP com braçadeira da Rota
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Policial militar de SP com braçadeira da Rota

Divulgação/SSP-SP
Militares da Rota respondem por homicídio e fraude processual
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Militares da Rota respondem por homicídio e fraude processual

Divulgação/Rota
viaturas da Rota
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viaturas da Rota

Divulgação/ Francisco Cepeda / Governo do Estado de SP
Capitão da Rota da PM de São Paulo perdeu o posto e patente após envolvimento em venda de anabolizantes ilegais
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Capitão da Rota da PM de São Paulo perdeu o posto e patente após envolvimento em venda de anabolizantes ilegais

Divulgação/PMSP

Fontes que acompanham a investigação afirmaram ao Metrópoles que Galego não participou diretamente do atentado. Ele teria apenas dado abrigo a Hércules da Costa Siqueira, o Golias, e à mulher dele, Cláudia Ferreira Ramos, durante a fuga (assista abaixo).

Golias é apontado como o principal suspeito de apertar o gatilho contra Pimentel e permanece foragido.

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Duas identidades

Durante quase toda a vida, Galego foi identificado pelos órgãos de segurança como Elenilson Francisco da Silva, nascido em 1º de abril de 1979, em Sertânia, Pernambuco.

Na ficha policial, ele aparece como servente e morador de Peruíbe, no litoral paulista. Nela também constam os nomes de mãe e pai. O cadastro estava vinculado a um RG classificado como criminal.

Posteriormente, ele passou a se apresentar como Elenilson Misael da Silva (trocando Francisco, do primeiro registro, por Misael). A data e a cidade de nascimento foram mantidas, mas a filiação e os números dos documentos mudaram.

Na segunda identidade, consta apenas o nome da mãe, no qual ele também incluiu “Misael” . O pai desaparece dos documentos. Também foram atribuídos ao suspeito outro RG e CPF.

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A certidão apresentada em nome de Elenilson Misael informa foi expedida pelo cartório de Sertânia em fevereiro de 2018. Com a nova identidade, ele também obteve carteira de trabalho, CPF e um título de eleitor emitido em maio de 2025.

A tentativa de separar o novo nome da ficha criminal, porém, não funcionou por muito tempo.

Ficha criminal de 12 páginas

A folha de antecedentes de Galego reúne seis inquéritos, 17 processos e uma extensa lista de mandados, prisões e transferências penitenciárias.

Os registros mencionam homicídios, roubos, porte ilegal de arma, receptação, uso de documento falso, sequestro e cárcere privado, motim, tentativa de fuga, lesão corporal e ameaça.

Parte dos casos terminou em absolvição, arquivamento ou rejeição da denúncia. Em outros, houve condenações, entre elas penas superiores a cinco e dez anos de prisão. A ficha também apresenta pelo menos quatro registros ligados a homicídios ou acusações de participação em mortes.

Reféns levados para linha de tiro

Um dos casos mais graves ocorreu em dezembro de 2006, no Centro de Detenção Provisória de Franco da Rocha, na região metropolitana.

Segundo denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Galego e outros 25 presos tentaram fugir, iniciaram uma rebelião e fizeram quatro agentes penitenciários reféns.

A acusação afirma que Galego portou uma pistola, disparou contra agentes que estavam nas muralhas e ameaçou matar os reféns.

Ele e outro preso também teriam levado dois agentes para o meio da troca de tiros. Tacyan Menezes de Lucena morreu após ser baleado nas costas e no pé. O outro agente foi atingido três vezes, mas sobreviveu.

Galego foi denunciado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, sequestro, motim, tentativa de fuga e porte ilegal de arma.

“Você está sequestrado”

Em janeiro de 2024, um homem acusou um suspeito apresentado como Galego da Facção de abordá-lo em uma estrada de Peruíbe.

Segundo registros da Polícia Civil, três homens cercaram o carro da vítima. Galego teria dado um soco no motorista, pegado uma pistola e anunciado: “Você está sequestrado”.

Durante uma tentativa de tomar a arma, houve um disparo que atravessou o ombro da vítima e saiu pelas costas. Ferido, o homem conseguiu dirigir até a casa da família e foi levado ao hospital.

O caso foi registrado como lesão corporal grave e ameaça.

Entrada e saída da prisão

Os registros mostram que Galego entrou no sistema penitenciário paulista em dezembro de 2003.

Nos anos seguintes, passou por cadeias, centros de detenção provisória e penitenciárias da capital paulista, Osasco, Suzano, Franco da Rocha, Mirandópolis, Presidente Venceslau e Lavínia.

A última movimentação consta de dezembro de 2017, quando ele deixou o sistema por livramento condicional. Pouco mais de dois meses depois, foi expedida a segunda via da certidão de nascimento, agora em nome de Elenilson Misael da Silva.

Sete mortos e poucas respostas

Galego foi localizado e morto pela Rota em Peruíbe durante a caçada aos responsáveis pelo ataque contra Pimentel.

O passado criminal dele, porém, não comprova participação no atentado. Segundo fontes que acompanham a investigação, sua ligação com o caso se restringiria ao abrigo dado a Golias e Cláudia.

Ele se soma a outras seis mortes, provocadas pela PM, durante as buscas. Entre eles está Marcelo de Jesus Dias, o Nego Zum, apontado como piloto da motocicleta usada no atentado e peça-chave para esclarecimento da motivação do crime contra o tenente da Rota.

Com as mortes, suspeitos que poderiam ajudar a esclarecer o planejamento e a motivação do ataque deixaram de ser interrogados.

O ataque contra Pimentel

Pimentel foi baleado em 27 de junho, enquanto aguardava a abertura de um semáforo em São Caetano do Sul.

Imagens mostram dois homens em uma motocicleta. O garupa se aproxima e dispara contra a cabeça do tenente.

Outras gravações indicam que os suspeitos acompanharam a movimentação do oficial antes do ataque, reforçando a hipótese de uma ação planejada.

A motivação do crime ainda não foi esclarecida. Golias, apontado como provável autor do disparo, continuava foragido até a publicação desta reportagem.