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São Paulo

SP: Câmara recua e reduz área para verticalização perto de metrô

Base do prefeito Ricardo Nunes na Câmara de SP reduz área para arranha-céus e retirar mudanças do Fundurb do texto final do Plano Diretor

19/06/2023 10:57, atualizado 19/06/2023 15:10
Getty Images
Avenida Paulista

São Paulo – A base do prefeito Ricardo Nunes (MDB) na Câmara Municipal de São Paulo manteve uma série de negociações com a oposição e com o Executivo e deve apresentar, nesta segunda-feira (19/6), mudanças no texto do projeto de lei que propõe a revisão no Plano Diretor Estratégico (PDE) da capital.

As mudanças representam recuo diante de pontos polêmicos do texto, que vinham provocando resistências de uma série de arquitetos e urbanistas renomados. Elas foram adotadas após petistas sinalizarem que poderiam apoiar o projeto se o texto amenizasse alguns desses pontos.

A principal mudança se refere ao tamanho da zona de influência dos eixos estruturais, áreas da cidade em que é possível erguer arranha-céus. Elas devem ser reduzidas em relação ao texto aprovado pela Câmara em primeiro turno, no fim de maio.

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Esses eixos são as áreas que ficam ao redor dos corredores de transporte e das linhas e estações de metrô. Nas regras do PDE atual, elas tinham o tamanho de um raio de até 600 metros dos corredores. O texto aprovado em maio aumentava o raio para um quilômetro. Agora, a nova versão do PDE, a ser apresentada nesta segunda, estabelece o tamanho de 800 metros de distância em relação aos corredores.

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Outra mudança é que a possibilidade de a Prefeitura ser autorizada a usar recursos do Fundo Municipal de Desenvolvimento Urbano (Fundurb) para asfaltar e recapear vias será retirada do texto.

O Fundurb é uma conta que a Prefeitura mantém abastecida apenas com impostos arrecadados de incorporadoras que constroem edifícios na cidade. O dinheiro é carimbado e só pode ser usado para algumas atividades, como investimentos em infraestrutura e, especialmente, habitação (construção de moradias populares).

A Prefeitura queria incluir o asfaltamento de vias nos usos possíveis do caixa do Fundurb (que atualmente tem R$ 2 bilhões em reservas), o que vinha sofrendo forte resistência da oposição.

Mudanças para atrair o PT

Na primeira votação, quatro dos oito vereadores da bancada do PT votaram a favor do texto e quatro votaram contra.

Os vereadores que aprovaram o projeto são ligados ao grupo dos Tatto, família que tem dois vereadores na Câmara, exerce forte influência no diretório municipal da sigla, mantém diálogo com o prefeito Nunes e, nos bastidores, vê a contragosto a possibilidade de o partido apoiar Guilherme Boulos (PSol) à Prefeitura no ano que vem.

Já os quatro vereadores que votaram contra o PDE têm uma relação mais próxima com os parlamentares do PSol, partido que vem fazendo a oposição mais estridente ao PDE.

Na semana passada, o PSol tentou pressionar os vereadores do PT para resistirem ao acordo com o governo e assinarem um projeto substitutivo ao do governo, que também será apresentado em plenário.

O PT, entretanto, não deve fechar questão sobre o assunto: cada vereador votará segundo suas convicções.

Votação no fim da semana

A votação do PDE em segundo turno estava marcada para quarta-feira (21/6), mas deve ser adiada para a tarde de quinta ou mesmo sexta-feira.

O presidente da Comissão de Urbanismo da Câmara, Rubinho Nunes (MDB), adiou uma audiência pública que ocorreria nesta segunda-feira (19/6) e as audiências seguintes, de forma que a última reunião para discutir o texto com a sociedade ficou para quinta-feira (22/6) de manhã.

A base governista busca, agora, destacar os aspectos mais positivos da revisão do plano.

Segundo o vereador Rodrigo Goulart (PSD), relator do projeto, o plano vai potencializar a construção de moradias populares e, nos eixos estruturais, prédios classificados como Habitação de Interesse Social (HIS) poderão ter um coeficiente 9 (ou seja, o prédio em um terreno de mil metros quadrados poderá ter até 9 mil metros quadrados de área construída).

“Além disso, estamos melhorando os instrumentos de fiscalização”, disse o vereador. O objetivo, segundo Goulart, é evitar que unidades habitacionais de HIS terminem sendo compradas por investidores, realidade observada em locais como a Avenida Rebouças, em Pinheiros, zona oeste.