Solto por “bons antecedentes”, Ralado responde por lavar dinheiro de Magrelo

No entanto, para juíza federal Maria Isabel do Prado, não há indícios de que o investigado possua antecedentes criminais

atualizado

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Thiago Ralado
1 de 1 Thiago Ralado - Foto: Reprodução

Apontado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de empresas de fachada, o influenciador Thiago Branco de Azevedo, o Ralado, foi solto na última quarta-feira (1º/4) sob a justificativa de não haver indícios de que ele possua antecedente criminal. A decisão, da juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal São Paulo, deixou de mencionar processos contra Ralado na Justiça estadual. Em março do ano passado, ele se tornou réu em um inquérito sobre organização criminosa, acusado de atuar para o Bando do Magrelo, grupo ligado ao Comando Vermelho (CV).

O influenciador ficou preso por cerca de cinco dias, após ser alvo da Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) no último dia 25 de março, contra fraudes de até R$ 500 milhões no sistema financeiro. Ralado é acusado criar empresas em nome de desconhecidos e usar os CNPJ’s para obter empréstimos bancários fraudulentos, com documentos falsos. Para isso, segundo a investigação, ele pagava propinas a gerentes de bancos.

O esquema apontado pela PF é semelhante ao que descrito pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) no processo em que ele se tornou réu. Os promotores afirmam que Ralado e o líder do Bando do Magrelo integram uma organização criminosa, “agindo de forma coordenada e reiterada, por meio de uma rede complexa de empresas de ‘fachada'”.

Segundo a denúncia, Ralado estaria envolvido com “transações financeiras pulverizadas para ocultar e dissimular a origem ilícita dos recursos, com movimentação de valores extraordinários, obtenção fraudulenta de empréstimos e integração dos recursos ilícitos no sistema financeiro, dificultando o rastreamento pelas autoridades”.

No documento, os promotores chegaram a pedir a prisão preventiva do influenciador. No entanto, o juiz Caio Cesar Ginez, da 2ª Vara Criminal de Rio Claro, entendeu que essa seria uma medida extrema, determinando apenas que ele ficasse proibido de exercer atividades de contabilidade.

“Sem violência”

Na decisão que determinou a soltura de Ralado, uma das alegações usadas pela juíza federal Maria Isabel do Prado foi justamente que ele não teria cometido crime após firmar compromisso com a Justiça. Segundo ela, como as práticas investigadas não são violentas, não há motivo para manter a prisão preventiva.

“Assim, tratando-se de delito praticado sem violência ou grave ameaça, e não havendo apontamentos sobre antecedentes criminais, descumprimento de cautelares judiciais, ou indícios cometimento de crime após compromisso firmado perante o Poder Judiciário, reconsidero o decreto de prisão preventiva e entendo, por ora, como suficiente a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, com fundamento na garantia da aplicação da lei penal”, disse Maria Isabel do Prado.

Magrelo e o CV

A atividade criminosa do influenciador foi descoberta pelo Ministério Público de São Paulo, em 2024, em uma operação contra o Bando do Magrelo, gangue que rivalizava com o Primeiro Comando da Capital (PCC) na região de Rio Claro, também no interior.

Meses depois, o MPSP apontou que o CV teria se associado ao Bando do Magrelo, fornecendo armamentos e apoio logístico. Com a prisão de Anderson Ricardo de Menezes, o Magrelo, líder da gangue, a própria facção carioca teria assumido o controle da região, sob o comando de Leonardo Felipe Calixto.

Fictor

De acordo com as investigações da PF, Ralado também teria oferecido seus serviços de ocultação e alavancagem de patrimônio à cúpula da Fictor. Na representação que deu origem à Operação Fallax, os delegados citaram conversas entre o suspeito e Rafael Góis, CEO da holding de investimentos.

Uma das trocas de mensagens mencionadas pela PF na representação teria ocorrido no fim de 2023. Referindo-se a Rafael Góis como “chefe”, Ralado sugere um superfaturamento de uma das empresas em nome de laranja, que estava sem movimentação nos últimos 12 meses, para viabilizar uma operação. O CEO da Fictor teria respondido com naturalidade, dizendo que já tinha a simulação referente ao ano anterior.

Rafael foi alvo de mandado de busca e apreensão, teve até R$ 47 milhões em bens bloqueados pela Justiça e o sigilo bancário quebrado. As medidas também foram impostas a outras pessoas ligadas à Fictor, como o ex-sócio Luiz Rubini.

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