Altos salários e expertise: célula cumpre “salves” do PCC

Promotor alvo de plano de execução, Lincoln Gakiya diz que os designados para assassinatos de autoridades recebem salários fixos da facção

atualizado

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Promotor de Justiça Lincoln Gakiya, alvo de plano do PCC - Metrópoles
1 de 1 Promotor de Justiça Lincoln Gakiya, alvo de plano do PCC - Metrópoles - Foto: Dan Agostini for The Washington Post via Getty Images

Alvo de plano de execução do Primeiro Comando da Capital (PCC), conforme operação deflagrada nesta sexta-feira (24/10), o promotor de Justiça Lincoln Gakiya disse, em entrevista ao Metrópoles, que os designados da facção para assassinatos de autoridades são integrantes de quadrilhas do chamado “novo cangaço”, uma célula  que participa exclusivamente de “salves”.

“São integrantes do PCC que normalmente atuam em roubos a carro-forte, a bancos; aqueles crimes de ‘novo cangaço’, porque são criminosos que têm conhecimento, expertise, o uso de armamento pesado, de explosivo”, detalha Gakiya.

Segundo o promotor, os criminosos ficam dispensados de funções rotineiras no PCC. “Recebem salário, de R$ 20 mil, R$ 30 mil por mês, e todas as despesas pagas para concluir essas missões. Então, se custar R$ 200 mil, 500 mil, R$ 1 milhão para fazer esse planejamento, compra de armamento, etc., alguém do setor financeiro vai disponibilizar isso para eles”, explica.

Plano de execução do PCC

Investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), descobriram a existência de uma célula do PCC encarregada de realizar levantamentos detalhados da rotina de Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina, além de familiares deles.

A apuração que trouxe à tona o plano do PCC partiu da análise de arquivos e mensagens interceptadas nos celulares de integrantes da facção criminosa que foram presos por tráfico de drogas.

Ao lado da Polícia Civil, o MPSP realizou, na manhã desta sexta-feira (24/10), uma operação contra integrantes do PCC suspeitos de planejarem possíveis emboscadas às autoridades. De acordo com Gakiya, a mesma estratégia englobou a execução do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes, em 15 de setembro.

Nesta sexta (24/10), são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1), todas no interior de São Paulo.

A Operação Recon identificou os envolvidos na fase de reconhecimento e vigilância, bem como fez a apreensão de materiais e equipamentos que serão submetidos à perícia. Em última análise, poderão levar à descoberta dos responsáveis pela etapa de execução do atentado.

Ameaçado pela facção

Devido à atuação de 20 anos no combate ao PCC e do histórico de ameaças, o promotor Lincoln Gakiya, de 58 anos, vive há mais de 10 anos sob escolta feita por grupos de elite da Polícia Militar (PM). A primeira vez que chefes da facção decretaram a morte do promotor foi em 2005.

Em setembro de 2020, foi descoberto um plano do PCC de assassinar Gakiya após a polícia localizar uma carta na Penitenciária 1 de Presidente Bernardes. A ação seria retaliação à transferência de líderes da quadrilha para presídios federais.

Também houve suspeita de ordens de assassinato do promotor em 2018, quando Marcos Williams Herbas Camacho, Marcola, ainda estava em Presidente Venceslau. Na ocasião, duas mulheres foram presas depois de serem flagradas saindo da Penitenciária 2 da unidade com cartas nas quais lideranças do PCC ordenavam a morte de Gakiya.

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