Como MPSP descobriu plano do PCC para matar coordenador de presídios

Polícia interceptou conteúdo relacionado a monitoramento de autoridades em celulares de integrantes do PCC. Prints mostram mapas e trajetos

atualizado

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1 de 1 monitoramento medina (2) - Foto: Reprodução

A investigação que trouxe à tona o plano do Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o coordenador de presídios Roberto Medina partiu da análise de arquivos e mensagens interceptadas nos celulares de integrantes da facção criminosa que foram presos por tráfico de drogas. O promotor de Justiça Lincoln Gakiya também era alvo dos criminosos.

Sergio Garcia, conhecido como “Messi”, e Victor Hugo, conhecido como “VH”, foram presos neste ano durante ações policiais contra tráfico de drogas. Nos celulares deles, a polícia identificou conteúdo relacionado a monitoramento de autoridades.

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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificou que Victor Hugo produzia o conteúdo por meio de aplicativo de localização e georreferenciamento, no qual retratava em detalhes o percurso entre a Penitenciária II de Presidente Venceslau e a casa do coordenador Roberto Medina. Os suspeitos também estavam monitorando a rotina da esposa de Roberto Medina.

Em um vídeo, o investigado narra o trajeto com referências visuais e nomes das ruas, “demonstrando conhecimento prévio da região e preocupação em instruir o interlocutor sobre o deslocamento”, segundo o MPSP.

Para a promotoria, “a descrição detalhada do trajeto, aliada ao uso de recursos visuais e geográficos, reforça o planejamento e a intenção de fornecer instruções precisas para o deslocamento até o imóvel monitorado, evidenciando o caráter estratégico da ação”.

A investigação também encontrou prints do monitoramento no celular de Sergio Garcia, além de registros de drogas e dinheiro. Ele também teria feito o trabalho de levantamento de informações sobre as autoridades.


Operação Recon

  • O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil realizam, na manhã desta sexta-feira (24/10), uma operação contra integrantes do PCC, suspeitos de planejarem o assassinato do promotor Lincoln Gakiya e do coordenador de presídios Roberto Medina.
  • São cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nas cidades de Presidente Prudente (11), Álvares Machado (6), Martinópolis (2), Pirapozinho (2), Presidente Venceslau (2), Presidente Bernardes (1) e Santo Anastácio (1), todas no interior de São Paulo.
  • As investigações apontaram a existência de uma célula do crime organizado estruturada de forma compartimentada e “altamente disciplinada”, encarregada de realizar levantamentos detalhados da rotina de autoridades públicas e de seus familiares, “com a clara finalidade de preparar atentados contra esses alvos previamente selecionados”, segundo o MPSP.
  • Os suspeitos haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários de autoridades. “A célula operava sob rígido esquema de compartimentação, no qual cada integrante desempenhava uma função específica, sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção da trama”, afirma a promotoria.
  • A Operação Recon, coordenada pelo MPSP e Polícia Civil, identificou os envolvidos na fase de reconhecimento e vigilância, bem como a apreensão de materiais e equipamentos que serão submetidos à perícia e, em última análise, poderão levar à descoberta dos responsáveis pela etapa de execução do atentado.

 

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